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Em todo o Estado, outubro é o pior mês da estação seca. Na zona da Mata e no Agreste, os pastos estão escassos e os rebanhos que não têm alimentação suplementar emagrecem. No Sertão, a estiagem atinge o seu ponto mais cruel e até mesmo os animais procuram a sombra de árvores como o juazeiro, fugindo do calor causticante do sol. O agricultor, sem outra alternativa, aguarda as chuvas.

Nos leitos secos dos rios, os sertanejos cavam cacimbas à procura de água que, nessa época, é a coisa mais rara naquela imensidão de terras nuas -apenas nas áreas baixas dos brejos ainda há oferta de água acumulada durante a estação chuvosa.

Os arbustos da caatinga estalam de tão secos, enquanto algumas árvores como a algarobeira e o umbuzeiro resistem bravamente, ponteando de verde a paisagem cinzenta.

Em outubro, a dieta do homem rural, dos animais e das aves sofre considerável mudança, porque muda a oferta de alimentos na natureza e plantações. Nos campos, os animais se alimentam quase que exclusivamente das cactáceas, plantas imunes ao poder destruidor da estiagem. Com pouquíssimos frutos a sua disposição e também sem os grãos de que tanto gostam, os pássaros voam à cata de insetos.

Outubro é tempo de o teju, que passa boa parte da vida recolhido, preparar-se para deixar a toca e sair em busca de insetos, ovos e filhotes de pássaros. Nos roçados ou beira de estradas, já não se vêem os sapos-cururu que, em épocas de calor, procuram os buracos sombrios ou paus apodrecidos, buscando a umidade.

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Dezembro ainda é estação seca nas regiões que se estendem do Agreste ao Litoral. No Sertão, o período chuvoso vai-se consolidando e, com a perspectiva de bom inverno, o agricultor aumenta a prática das queimadas, preparando, a seu modo, as áreas para o plantio e transformando, com o fogo, a terra cada vez menos produtiva.

Em áreas fora do alcance das enxurradas, as marrecas irerês que chegaram ao Sertão fazem cuidadosamente seus ninhos e iniciam a postura, enquanto o tatu desaparece da caatinga e se mete de toca adentro, para reproduzir. No Agreste, os rebanhos ainda sofrem com a escassez de pastos, característica da temporada seca.

No Sertão, atraídos para a água (que pode ser até mesmo uma pequena poça), os sapos começam reproduzir. O acasalamento desse animal tão feio mas tão útil raramente se realiza em terra. E uma única fêmea é responsável pela postura de milhares de ovos que, dias depois, serão transformados numa grande quantidade de sapinhos que saem a caminhar entre a vegetação rasteira dos
campos.

Na zona da Mata, há fartura de manga, mas a safra do abacaxi vai chegando ao final e a pouca oferta deste fruto faz subir a cotação dos preços. Portanto, dezembro é um bom mês para o comércio do abacaxi.

No Sertão e em algumas áreas do Agreste, a quixabeira está florando, atraindo as incansáveis abelhas que fabricam o doce mel. No terreiro da casa da fazenda, o peru para a ceia do Natal está gordinho e o pernambucano se prepara para comemorar o final de mais um ano.

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Prossegue a estação seca no Litoral, na zona da Mata e no Agreste do Estado. No Sertão, tem início o período chuvoso que impõe uma brusca transformação na paisagem daquela região. Logo com as primeiras chuvas, os arbustos secos da caatinga se revestem de folhas e flores, numa verdadeira ressurreição operada num espaço de poucos dias. Os campos, então, ficam cobertos de verde e a terra sombreada.

É tempo de alegria para o sertanejo que começa investir na continuidade das chuvas, coisa não muito comum em toda região semi-árida. Nos dias mais quentes, o teju percorre as capoeiras, os roçados e as bordas das matas, em busca de alimentação.

Quase extinto hoje em dia, o tatu, que vive de preferência em terrenos secos e de vegetação pobre, ataca os formigueiros e come as formigas fêmeas ovadas, prestando assim um bom serviço ao agricultor.

Ainda no Sertão, é em novembro que têm início as queimadas. Com sua aparência feia mas desempenhando importante papel na defesa da agricultura, os sapos reaparecem em grande quantidade. Esses animais, depois de passarem o dia recolhidos em lugares úmidos, no início da noite saem à cata de alimentação, movendo incansável perseguição aos insetos e besouros. Numa só noite, um sapo pode comer aproximadamente 400 insetos.

Nas regiões brejeiras de Sairé, no Agreste, o agricultor festeja a festa da laranja. Em Gravatá, a colheita de morango atinge seu pique. Entre o Agreste e o Litoral, o cajueiro ainda frutifica e começa a aparecer a saborosa manga.

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Denunciado pela primeira vez pelo ecólogo João Vasconcelos Sobrinho, o processo de desertificação do semi-árido nordestino vem sendo estudado pelos técnicos e preocupando autoridades governamentais.

Trata-se do processo de degradação do solo que está transformando algumas regiões do Nordeste, inclusive de Pernambuco, em verdadeiros desertos.

As causas do fenômeno são várias, entre as quais a destruição das vegetações nativas e o cultivo de culturas inadequadas à região. Calcula-se que o problema já atinge (dados de 1998) mais de 100 mil km2 do semi-árido brasileiro, perto de 20% de toda sua área.

Em Pernambuco, uma das áreas mais afetadas é a onde está localizado o município de Cabrobó, no sertão do Estado.

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