Péricles Maranhão

Pericles 1Caricaturista, criador de um dos mais famosos personagens do humor brasileiro entre as décadas de 1940/60 (O Amigo da Onça), Péricles de Andrade Maranhão nasceu a 14 de agosto de 1924, no Recife, Pernambuco, tendo vivido a infância no bairro recifense do Espinheiro.

Aos 14 anos de idade, Péricles de Andrade Maranhão fez seus primeiros desenhos: uma série de caricaturas de pessoas de sua família. Foi também nessa época que teve os seus primeiros trabalhos publicados numa revista editada no Colégio Marista do Recife, onde estudava.

Em 1940, aos 16 anos e ainda morando no Recife, Péricles Maranhão decide tentar a carreira de desenhista e procura o Diário de Pernambuco, onde recebe total apoio do jornalista Aníbal Fernandes (redator-chefe do jornal). A 05 de novembro daquele ano, Fernandes escreveria sobre Péricles:

“(..) Um garoto que entrou pela redação com um rolo de desenhos. Guardem bem esse nome: Péricles Maranhão. Quem viver verá se ali não está um artista, sobretudo se tiver ambiente para estudar e produzir (...)”

Em janeiro de 1942, com uma carta de recomendação de Aníbal Fernandes para Leão Gondim de Oliveira, então diretor da revista “O Cruzeiro”, Péricles segue para o Rio de Janeiro. Começaria trabalhar na revista, como ilustrador, a partir de 06 de junho daquele ano e simultaneamente publicava desenhos em outros periódicos.

Por exemplo: a 01 de maio de 1942, Péricles publicou na revista “O Guri” o seu primeiro personagem de sucesso (“Oliveira, o Trapalhão”). Em seguida, criaria para “A Cigarra” o personagem “Miriato, o Gostosão” e as seções Cenas Cariocas, O Negócio Foi Assim, A Piada do Mês e O Rádio Por Dentro.

O grande sucesso nacional de Péricles Maranhão surgiu quando a revista “O Cruzeiro” decidiu publicar um personagem que fosse a síntese do homem brasileiro e pediu uma proposta a todos os desenhistas da empresa. O vencedor foi “O Amigo da Onça”, publicado pela primeira vez a 23 de outubro de 1943 e que por mais de 20 anos fez rir milhões de brasileiros.

Com sua cara ovóide de grandes olhos arregalados e fino bigodinho, “O Amigo da Onça” era um sujeito irônico que gostava de colocar seus interlocutores nas mais embaraçosas situações. Foi um dos grandes sucessos da revista “O Cruzeiro” até 03de fevereiro de 1962, data de publicação do último desenho.

No auge da fama do seu mais célebre personagem, Péricles Maranhão costumava desenhar em casa e ia à redação de “O Cruzeiro” apenas entregar seus trabalhos, geralmente deixando com os editores até quatro desenhos adiantados. Era início dos anos 1960 e Péricles vivia sozinho em Copacabana.

Péricles de Andrade Maranhão foi casado com Angélica Braga Guimarães (casaram em setembro de 1949, separando-se seis anos depois) com quem teve um filho. Péricles matou-se a 31/12/1961, no Rio de Janeiro, abrindo o gás do apartamento onde morava.

Sob o título “O Último Gesto”, a revista “O Cruzeiro” publicou o seguinte texto sobre a morte do artista:

“Péricles acabou com tudo de uma maneira elegante. No último dia do ano de 1961, em seu pequeno apartamento em Copacabana, escreveu uma carta:

“A QUEM INTERESSAR POSSA. São precisamente 14h30m do dia 31 de dezembro de 1961. Estou completamente sóbrio e não desejo culpar ninguém pelo meu gesto. Apenas estou me sentindo profundamente só. Os amigos, se assim posso chama-los, estão em suas casas junto a suas famílias, o que não acontece comigo, pois a única família que possuo –minha querida mãe e irmã - está em Recife. Aqui, no Rio, não possuo um único parente, a não ser meu filho que se encontra com a mãe, pois sou desquitado e a mesma falou-me que iria passar o Ano Novo com a família dela, em Recife, pois são, também, pernambucanos. Conclusão: sou profundamente sentimental e nunca passei essa época sem uma palavra de carinho. Apenas a solidão me levou a este gesto extremo. Talvez assim as coisas melhorem para todos.”

Datou e colocou a famosa assinatura. Escreveu outra carta para sua mãe. E fechou a porta de entrada de seu apartamento e a de saída deste mundo. Mas antes de morrer deu uma última rasteira em seu personagem, com um gesto anti-Amigo da Onça. Na porta do apartamento colocou um aviso escrito à mão: “Não risquem fósforos.”