Jornalista, escritor e compositor, Nestor de Hollanda Cavalcanti Neto nasceu a 1º de dezembro de 1921, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco, filho do farmacêutico Nestor de Hollanda Cavalcanti Filho e da médica Maria de Lourdes Galhardo de Hollanda Cavalcanti.

Quando seu pai morreu aos 22 anos, Nestor tinha apenas 2 anos de idade e sua irmã Nelby, apenas seis meses de nascida.

Em 1929, mudou-se com a família para o Recife, aonde sua mãe veio trabalhar na Repartição Estadual do Algodão (Em 1931, a mãe de Nestor de Holanda ingressou na Faculdade de Medicina do Recife, concluindo o curso em 36, e exerceu a medicina até morrer, 1955, no Rio de Janeiro.

Um detalhe: ela foi a primeira mulher que tirou carteira de motorista em Pernambuco, em 1925, tendo sido forçada a impetrar mandado de segurança para isso.)

Nestor de Holanda fez seus estudos no Recife e, quando ainda cursava o ginasial, com um grupo de amigos fundou e dirigiu o semanário A Fama, que acabou apreendido e proibido de circular, por motivos políticos.

Em seguida, ingressou no jornalismo, sendo sua primeira função ?aprendiz de suplente de revisor?. Trabalhou na Gazeta do Recife, Jornal Pequeno, Jornal do Comércio e Diário da Manhã.

Aos 17 anos, fez parte de um grupo de jovens que fundou a editora Geração, através da qual Nestor publicou livro de poemas, ?Fontes Luminosas, que consideraria depois "uma brincadeira de criança". Integravam o grupo: Guerra de Holanda, Paulo Cavalcanti, Mário Souto Mayor, Sousa Leão Neto, Raul Teixeira, Aristóteles Soares, Dagoberto Pires e outros. Nessa época, participou, com a peça ?Mais tem Deus...?, de concurso de teatro promovido pelo Governo do Estado, mas sua foi proibida e os originais sumiram.

Ainda no Recife, com o apoio de Valdemar de Oliveira e Luiz Maranhão, Nestor de Holanda escreveu várias peças teatrais, muitas delas comédias. Iniciou a carreira de compositor, criando, entre outros, os seguintes frevos-canção: Fala, Pierrô, em parceria com Levino Ferreira; Barafunda, com Ernani Reis; O Frevo é Assim, com Nelson Ferreira; e Não Deixe a Minha Companhia, com João Valença.

Em 1941, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi redator de A Cena Muda, Revista da Semana, Brasilidade, Vida, Deca, e das rádios Vera Cruz, Transmissora e Educadora. Convocado para o Exército, esteve em operações de guerra e chegou a sargento. Deixou o Exército depois da guerra, voltando as suas atividades intelectuais.

Trabalhou em diversos jornais: Folha Carioca, Democracia, O Imparcial, A Noite, Folha do Rio, Shopping News, Diário Carioca, Última Hora e Diário de Notícias. Revistas: Manchete, A Noite Ilustrada, Carioca. Estações de Rádio: Clube Fluminense, Cruzeiro do Sul, Clube do Brasil, Globo, Nacional e Ministério da Educação e Cultura, da qual é redator. Emissoras de televisão: Continental, Excelsior, Rio.

No Rio de Janeiro Nestor de Holanda escreveu várias peças de teatro, romances e contos. Compôs, com vários parceiros, mais de uma centena de canções populares, entre as quais Seu Nome Não é Maria, Xém-ém-ém (que fez parte da trilha sonora de um filme de Walt Disney ), Periquito da Madame, Último Beijo e outras. Entre os seus parceiros, estavam Ari Barroso, Ismael Neto, Haroldo Lôbo, Jorge Tavares, Valzinho, Luiz Gonzaga e outras feras da MPB.

De estilo bem-humorado, Nestor de Holanda foi um dos escritores do seu tempo que mais venderam no Brasil. Alguns dos seus livros: ?Diálogo Brasil-URSS, O Mundo Vermelho?, ?Sossego - Rua da Revolução?, ?Jangadeiros?, ?A Ignorância ao Alcance de Todos?, ?Itinerário da Paisagem Carioca?, ?Telhado de Vidro? etc. Recebeu o título de Cidadão Carioca, por decisão da Assembléia Legislativa do Estado da Guanabara.

Nestor de Holanda foi casado, desde 1947, com dona Kezia Alves de Hollanda Cavalcanti, e o casal teve dois filhos, o compositor Nestor de Hollanda Cavalcanti e Maria Marta.

Morreu no Rio de Janeiro em 14 de novembro de 1970.