Filho de uma família classe média (seu pai foi prefeito do município de São Bento do Una por duas vezes), Nelson Valença nasceu a 22 de agosto de 1919, em Pesqueira, agreste de Pernambuco.

Como alguns dos seus dez irmãos, tinha uma certa queda pela música e na adolescência decidiu ser cantor, embalado pelas canções de Augusto Calheiros (seu maior ídolo) que ouvia no rádio.

Mas a carreira do intérprete Nelson Valença não iria muito longe. Depois de animar festas na sua cidade e de participar, no Recife, de alguns programas de rádio, uma cirurgia na garganta frustrou os seus planos. Naquela época, ele já escrevia algumas canções (que, por vergonha, não mostrava a ninguém) e, para conservar sua paixão pela música, só lhe restou uma opção: seguir compondo.

E foi exatamente o que fez. Hoje, aos 81 anos de idade, Nelson Valença é autor de mais de 200 canções, uma dezena delas transformadas em grandes sucessos nas vozes de Luiz Gonzaga, Baby Consuelo e outros astros da música brasileira. Arranjador, maestro e professor aposentado, um detalhe interessante é que seu Nelson nunca freqüentou uma escola de música.

É ele quem conta: "Meu único professor foi Balbino Mendes, um sapateiro que tocava na banda de São Bento, a quem eu pedi e ele me ensinou umas oito lições de música. Depois, eu continuei estudando sozinho, a maioria das vezes em quartos de hotel aqui em Pesqueira, em Caruaru e em outras cidades onde morei durante minha trajetória em busca de trabalho."

Viúvo, dois filhos e alguns netos, Nelson Valença já ganhou dinheiro com suas canções ("comprei até um carro"), mas diz nunca ter encarado a música como uma atividade profissional. "Nunca levei a música a sério, sempre ganhei a vida trabalhando em outras coisas". Alguns exemplos: ele foi bancário, caixa da Fábrica Peixe, professor colegial e produtor de rádio.

O compositor desconhecido (ou famoso apenas entre os seus conterrâneos) começou ganhar notoriedade em 1971, quando Luiz Gonzaga incluiu no seu disco anual três composições de autoria de Valença: "Coronel Pedro do Norte", "Lulu Vaqueiro" e "O Urubu é um Triste". Novas gravações viriam depois mas, nem por isso, ele quis seguir a carreira artística.

Após duas passagens pelo Rio de Janeiro, onde permaneceu pouco mais de dois meses, retornou à Pesqueira (onde mora até hoje) e prosseguiu sua carreira de compositor e animador cultural interiorano.

Sua composição de maior sucesso ("O Fole Roncou"), depois de lançada por Luiz Gonzaga, já teve cerca de trinta novas gravações, inclusive em inglês.

Mas, ainda assim, ele continua afirmando: "música, para mim, é apenas um grande prazer". Por nunca querer deixar Pernambuco para procurar a fama no eixo Rio-São Paulo, certa ocasião Nelson Valença ouviu de um amigo: "desse jeito, você vai morrer desconhecido". O compositor respondeu: "ora, pra morrer, não faz diferença se o sujeito é conhecido ou não".


DISCOGRAFIA:
(Músicas de Nelson Valença lançadas por Luiz Gonzaga)

1971 - Coronel Pedro do Norte
Lulu Vaqueiro
O Urubu é um Triste

1973 - Cantarino
Juvina
O Bom Improvisador
Mulher de Hoje
O Fole Roncou

1981 - Pesqueira Centenária