Uma das primeiras heroínas brasileiras, Bárbara Pereira de Alencar nasceu a 11 de fevereiro de 1760, na fazenda Caiçara, de propriedade de seu avô Leonel Alencar Rêgo, patriarca da família Alencar, localizada no município de Exu, no Sertão pernambucano.

Ainda adolescente, Bárbara mudou-se para a então Vila do Crato, no Ceará, e casou-se com o comerciante português José Gonçalves dos Santos. Teve quatro filhos: João Carlos José dos Santos, Joaquina Maria de São José, Tristão Gonçalves Pereira de Alencar e José Martiniano de Alencar, pai do romancista José de Alencar.  


Bárbara de Alencar e seus filhos aderiram aos ideários e participaram das lutas de movimentos como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador de 1824, cujos objetivos eram libertar Pernambuco do jugo português e instituir um sistema republicano de governo.

A 29 de abril de 1817, por determinação do Governo Revolucionário de Pernambuco, a família Alencar, sob o comando da matriarca, recebe a missão de libertar o Ceará da dominação portuguesa, o que ocorre no dia 3 de maio do mesmo ano, quando o Diácono José Martiniano de Alencar subiu ao púlpito na Matriz do Crato e proclamou a independência e a República.

Em consequência, Bárbara de Alencar, perseguida, fugiu para a Paraíba, onde foi presa. Qualificada entre os presos como “infames cabeças”, foi enviada para Icó, Ceará, depois para Fortaleza, onde, posteriormente, foi recambiada para Recife e, depois, transferida para prisão na Bahia. onde foi cruelmente torturada.

No seu cárcere, no subsolo, uma pequena cela de tortura que não cabia um homem em pé, recebia uma só refeição por dia. Libertada três anos depois, faleceu em 28 de agosto de 1823, na Fazenda Touro, de sua propriedade, localizada no Estado do Piauí.