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Nação Zumbi

mundolivreGrupo musical recifense, considerado um dos mais competentes da cena pop brasileira, surgiu com o Movimento Mangue de Chico Science.

Depois da morte prematura do seu líder (v. Chico Science), ficou mais de um ano sem se apresentar, retornando aos palcos em agosto de 1998.

Release:

NAÇÃO ZUMBI – FOME DE TUDO

Acabo de encerrar a audição do novo álbum do Nação Zumbi e a pergunta que me atormenta a cachola neste instante não difere muito daquela que me azucrinou mais de quinze anos atrás, quando vi pela primeira vez Chico Science juntando, no palco do Oásis, em Olinda, a psicodelia da Loustal com o batuque irresistível do Lamento Negro. Incrédulo e quase sem fôlego, eu olhava pros lados e repetia pra mim mesmo: "será que alguém anotou a porra da placa?".

Os caras não fazem por mal, cacete, mas até o calçamento da ladeira da Misericórdia sabe que é assim que nós, pobres mortais, nos sentimos cada vez que eles acertam a mão: chocados, aturdidos, a-t-r-o-p-e-l-a-d-o-s. E dessa vez, crianças, com todos os diabos os sacanas simplesmente botaram pra arrombar.

Ainda meio zonzo, declaro desde já que não tenho condições de produzir uma interpretação fria e minuciosa, do tipo faixa a faixa, deste álbum que, pra mim, já nasce antológico – e justo num momento crítico do circuito musical brasileiro. Mais do que uma volta às origens, estou sentindo este trabalho como uma espécie de retrospecto altivo da banda mais inventiva em atividade no país, pra que não duvidem de sua verdade: faz uma década e meia que eles, mais do que ninguém, têm "esse jogo na mão."

Não é qualquer grupo, afinal, que pode se orgulhar de ter descoberto e aperfeiçoado a alquimia do world metal, do coco dub, da ciranda psicodélica, do bolero dollywood, do psichocarimbó, do baião cyberdélico... Todo esse arsenal impagável está sendo revigorado com o máximo de esmero e consciência neste Fome de Tudo, como pode ser constatado em canções certeiras e poderosas como "Onde Tenho Que Ir" (faixa 6), "Inferno" (faixa 4), "Toda Surdez Será Castigada" (faixa 9), "Assustado" (faixa 7), "Bossa Nostra" (faixa 1) e na avassaladora faixatítulo do disco, cuja pegada explosiva fará John Bonham vibrar de êxtase onde quer que esteja.

Acha pouco? Pois seja apresentado a um novo gênero, o frevo travaperna, entortado com um compasso 7 capaz de empenar até o mais experiente dos passistas. É o que nos traz a faixa 3, singelamente intitulada "Carnaval". Não duvidem: raiz transgênica legítima, sem adulteração, é com esses malungos.

Outra coisa muito bacana que se reflete naturalmente na sonoridade do disco é o clima de camaradagem que envolveu a parceria da banda com o co-produtor Mario Caldato Jr. O consagradíssimo mago dos filtros e plug-ins (com quem já tive o imenso prazer de trabalhar, anos atrás) tinha sido convidado para assinar a produção, mas a brodagem que rolou foi tamanha que todo mundo resolveu assinar junto.

Como era de se esperar, a mixagem é de uma eficiência impressionante, não há nada em excesso e tudo se ouve na conta certa. Particularmente os tambores e as vozes, na minha opinião, nunca soaram tão bem. O próprio Jorge comentou que o aspecto interpretação mereceu um capricho maior de o usual, o que resultou sem dúvida no álbum mais melodioso de toda a discografia da banda.

As guitarras, vá se lascar, são um espetáculo à parte; a pontuação do baixo no disco inteiro, mas especialmente em "Assustado" e "Carnaval", é realmente de assombrar; e o que dizer dos grooves maquinados – "mandar no chão" é isso aí - entre Pupillo, Toca Ogan e Gilmar Bola 8? Anota, seu guarda!

As cerejas que aprimoram ainda mais o conjunto da obra: arranjos de metais primorosos do mestre pernambucano Ademir Araújo; vocais de apoio personalíssimos de Junio Barreto; arranjo de cordas de Lucas Reale e a doce revelação Céu, emprestando sua ternura em "Inferno". Bom, e já que me coube a honra dessas mal traçadas, permitam-me a liberdade de indicar, entre tantas pérolas, minha preferência imediata. A faixa que contém, a meu ver, o melhor refrão produzido pelo pop brasileiro nos últimos tempos.

Se você se considera uma pessoa corajosa, aliás, tente comigo essa experiência. Imagine um Jorge Ben mutilado, nascido e abandonado numa esquina qualquer da faixa de gaza, quinze minutos após a hecatombe nuclear. Agora, com essa imagem na mente, procure o lenço mais próximo e coloque pra tocar a faixa 12 – isso mesmo, comece pela última, "No Olimpo". Vou lhe avisando que há alguns riscos para sua segurança emocional, e o mais grave deles é o de você se descobrir alguém mais sensível e fracote do que julgava ser.

Sério, se você, mesmo com tudo que tem visto e ouvido em sua volta, ainda não tem uma pedra no lugar onde devia pulsar um coração, prepare-se. Vai doer...

Mas vamos lá, camarada, enxugue as lágrimas e respire fundo, afinal você já desconfiava que não estava diante de um lançamento qualquer.

Zeroquatro Montenegro

Informações:

CAFUNÉ PRODUÇÕES
Marina Oliveira Tel 55 11 7859 7960
ID 55*30*19838
Site: www.cafune.com

Marina Oliveira
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Site Oficial: www.nacaozumbi.com.br

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