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Pernambucanos trucidados pela ditadura militar - Ranúsia Alves Rodrigues

ranusia alves 3Militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR, tendo usado os codinomes Florinda, Nuce, Olívia), Ranúsia Alves Rodrigues nasceu na cidade de Garanhuns, Pernambuco, filha de Moisés Rodrigues Vilela e Áurea Alves Siqueira.

Estudante de enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco, foi presa em Ibiúna/SP, quando participava do XXX Congresso da União nacional dos Estudantes (UNE), em 1968, e expulsa da universidade pelo Decreto 477/69. Já na clandestinidade, teve uma filha, Vanúsia, que mora em Recife.

Foi assassinada a 27 de outubro de 1973, juntamente com Almir Custódio de Lima, Ramirez Maranhão do Vale e Vitorino Alves Moitinho, durante um suposto tiroteio ocorrido na Praça Sentinela, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Teve sua morte reconhecida pelo I Exército, mas foi enterrada como indigente e foi negada a certidão de óbito à família.

Pela informação n° 2805, do I Exército, de 29 de outubro de 1973, encontrada no Arquivo do DOPS/RJ, Ranúsia foi presa na manhã do dia 27 de outubro de 1973. Desde o dia 8, ela e seus três companheiros estavam sendo seguidos. Contém, inclusive, depoimento de Ranúsia na prisão. O documento fala da farta documentação encontrada com Ranúsia e da morte dos quatro militantes citando seus nomes completos.

O corpo de Ranúsia entrou no IML/RJ pela guia n° 20 do DOPS e a necropsia feita pelos Drs. Hélder Machado Paupério e Roberto Blanco dos Santos, confirma a versão oficial da repressão de que foi morta em tiroteio ao reagir à prisão.

Na certidão de óbito de n° 17.414 está como desconhecida, tendo como declarante José Severino Teixeira. Foi enterrada como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque (RJ), a 31 de dezembro de 73, na cova n° 22.706, quadra 21. Em 02 de abril de 1979 seus restos mortais foram para um ossário geral e, entre 1980/1981, para uma vala clandestina com cerca de 2.000 outras ossadas de indigentes.

Laudo e fotos de perícia de local (Ocorrência n° 947/73 e ICE n° 6995/73) mostram Ranúsia metralhada, tendo ao fundo o Volkswagen incendiado, onde estavam carbonizados Ramires, Vitorino e Almir.
(Do livro Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964)


CARBONIZADOS

Ranúsia Alves Rodrigues foi morta pelos órgãos de segurança ao lado de três membros do PCBR, Almir Custódio de Lima (também pernambucano), Ramires Maranhão do Valle e Vitorino Alves Moitinho, em 27 de outubro de 1973, no Rio de Janeiro. A cena para a legalização das execuções foi montada na Praça Sentinela, em Jacarepaguá. Os corpos de Ramires, Almir e Vitorino apareceram carbonizados dentro de um Volks, enquanto o corpo de Ranúsia, baleado, não foi queimado. Os arquivos dos Ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica mostram versões desencontradas. E alguns fatos só começaram a ser esclarecidos com a abertura dos arquivos secretos do Deops no Rio, São Paulo e Pernambuco.

No livro Dos Filhos Deste Solo, Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio registraram o episódio: “Chovia na noite de 27 de outubro de 1973, um sábado. Alguns poucos casais escondiam-se da chuva junto do muro do Colégio de Jacarepaguá, no Rio. Por volta das 22 horas, um homem desceu de um Opala e avisou: ‘Afastem-se porque a barra vai pesar’. O repórter de Veja (7/11/1973) localizou alguém que testemunhou o significado desse aviso: “Não ouvimos um gemido, só os tiros, o estrondo e a correria dos carros”. (...) Vindos de todas as ruas que levam à praça, oito ou nove carros foram chegando, cercando um fusca vermelho de placas AA-6960 e despejando tiros. Depois jogaram uma bomba dentro do carro. No final, havia uma mulher morta com quatro tiros no rosto e peito e três homens carbonizados”. A mulher era Ranúsia, estudante de enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco.

Fotos do corpo de Ranúsia, encontrada no Instituto de Criminalística Carlos Éboli, RJ.


A MORTE DE RANÚSIA E AS NOTÍCIAS NA IMPRENSA:

Quem matou quem? Veja, São Paulo, 7 nov. 1973, p. 34 e 36:
“Durante a noite de 27/10/73, dois casais que se encontravam em um carro estacionado da Praça Sentinela em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, RJ, foram cercados por oito ou nove carros. Um homem saltou de um deles, gritou para que todos se afastassem e começou a metralhar o carro com os casais. Uma das moças tentou fugir, mas também foi morta. Em seguida, os assassinos atiraram no carro uma bomba e fugiram rapidamente. Até o momento não se sabia a identificação dos assassinos ou das vítimas, pois nenhum documento foi encontrado, apenas um revólver e balas”.

Polícia especula, mas nada sabe sobre os casais executados em Jacarepaguá. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 out. 1973. p. 4:
“Dois casais foram metralhados e carbonizados na Praça Sentinela em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, RJ, durante a noite de 27/10/73. Segundo testemunhas, o carro das vítimas estava estacionado quando a rua foi cercada por cerca de oito carros e de um deles saltou um homem. Ele gritou para que todos se afastassem e iniciou tiroteio em direção ao carro com os casais, que chegou a explodir. Não havia documentos nesse carro, apenas um revólver e balas”.

Terroristas morrem em tiroteio com as forças de segurança, O Estado de S. Paulo, São Paulo, 29 out. 1973.
O Jornal traz notícia sobre a morte de Almir Custódio de Lima, Ranúsia Alves Rodrigues e mais duas pessoas não identificadas, “em tiroteio com órgãos de segurança” no dia 28/10/73. Diz que eles eram militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e acusados de participação em roubos e um assassinato e que consta que Ranúsia também desenvolveu “atividades subversivas” no Nordeste, como pichações e panfletagens.


RANÚSIA PELO PROFESSOR EDVALDO CAVALCANTE:

“Há tempos eu queria escrever um post sobre a ditadura militar. Dentre as tantas histórias de horror envolvendo esse período negro do passado recente do Brasil, repousa a memória da pernambucana Ranúsia Alves Rodrigues. Nascida na cidade de Garanhuns, era estudante do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco. No meio universitário, Ranúsia começou a militar no diretório acadêmico e rapidamente chegou ao PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).

Atuando na clandestinidade, Ranúsia (que também usava os codinomes de: Florinda, Nuce e Olívia) teve uma filha, Vanúsia. Por conta da militância política, Ranúsia teve que abdicar da filha e, como seus pais não aprovavam o envolvimento dela com essa atividade clandestina, também não quiseram saber da garota. A menina terminou ficando aos cuidados de uma empregada da família, Almerinda de Aquino. Hoje em dia Vanúsia mora na periferia do Recife, no bairro da Mangueira. Ela só tomou conhecimento da história da mãe em 1991, aos 22 anos, quando os arquivos do DOPS foram abertos.

Ranúsia tinha muito medo que a filha sofresse algum tipo de represália por causa das suas atividades políticas. Ela não estava errada. Em 1968, Ranúsia foi presa em Ibiúna, São Paulo, quando participava do XXX Congresso da UNE, e libertada logo em seguida. Fiel à sua ideologia, continuou lutando contra a ditadura militar.

Foi brutalmente assassinada na Praça Sentinela, Jacarepaguá (RJ), no dia 27 de outubro de 1973, juntamente com Almir Custódio de Lima, Ramirez Maranhão do Vale e Vitorino Alves Moitinho. Os três últimos morreram carbonizados dentro de um automóvel que explodiu com a saraivada de balas. Ranúsia morreu metralhada fora do carro. Esse episódio foi retratado na série “Anos Rebeldes”, da Rede Globo: a personagem usava o nome fictício de Heloísa e foi brilhantemente interpretada por Cláudia Abreu. Na série, por opção do autor Gilberto Braga, os companheiros de Heloísa (Ranúsia) escapam ilesos”.

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