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Contra-propaganda Eleitoral

Contra-propaganda eleitoral já fez muitas vítimas no Estado

Na eleição de 2002 a apreensão, por parte da Polícia, de cerca de 500 mil cartazes de contra-propaganda eleitoral envolvendo o prefeito do Recife, João Paulo, e o ex-governador Miguel Arraes, material que estava na sede da empresa Stampa Outdoor Ltda, gerou um grande bate-boca entre os políticos. Mas, esta não é a primeira vez que ocorre episódio dessa natureza em Pernambuco. A divulgação de panfletos anônimos é uma prática antiga e já vitimou muita gente.

Na eleição de 2000, a cidade de Olinda (onde, aliás, fica a sede da Stampa) foi inundada por panfletos contra a então candidata à prefeita Luciana Santos, do PCdoB. Duas dessas peças anônimas também vinculavam Luciana ao ex-governador Arraes e dizia, entre outras coisas, que ela não merecia votos, por ser comunista, "um partido cuja forma de governar é mantendo o povo sob a dominação da força das armas" e que "na América do Sul está associado às guerrilhas armadas da Colômbia".

No material de propaganda contra Luciana Santos, não faltou nem o clássico do anti-comunismo de antigamente, expresso na frase "vitimando crianças inocentes".

Outro político que também sofreu na pele com material de propaganda fraudulenta foi o ex-governador do Estado, Jarbas Vasconcelos, que durante uma campanha foi acusado de "bater no próprio pai". Já em 1986, foi Jarbas quem flagrou e fez com que a Polícia Federal prendesse um grupo de 27 pessoas que estavam colando nas ruas do Recife cartazes vermelhos com a foice e o martelo e o slogan do então candidato ao governo pela Oposição, Miguel Arraes -"Ele está voltando".

Além de contra-propaganda anônima, os cartazes contra Arraes em 1986 eram ilegais porque a campanha já estava encerrada e estava proibida a divulgação de qualquer peça eleitoral.

Mas, a mais sórdida e cruel contra-propaganda eleitoral já difundida em Pernambuco aconteceu durante a campanha eleitoral de 1982, quando o hoje falecido senador Marcos Freire era candidato a governador pela Oposição (PMDB) e tinha boas chances de vencer. Dias antes da eleição, foram jogados no Estado milhares de exemplares de um panfleto anônimo que reproduzia uma foto de Freire acrescida de um desenho representando um par de chifres.

O grotesco panfleto contra o senador era uma alusão ao seqüestro (até hoje nunca esclarecido) da esposa dele, Carolina Freire, e do então deputado federal Fernando Lyra, ocorrido em Brasília, em 1980, quando os dois foram levados e, sob a mira de metralhadoras, foram fotografados parcialmente despidos.

A princípio, as famílias pediram reservas à Polícia e o seqüestro permaneceu em sigilo por um ano. Depois, quando Freire declarou-se candidato a governador, passou a sofrer chantagens e tornou público o episódio.

As notícias sobre o seqüestro serviriam, assim, de prato cheio para os futuros autores dos panfletos que, bem como os responsáveis pelo primeiro crime, nunca foram identificados.

As eleições de 1982 aconteceram ainda no Brasil da ditadura militar e Marcos Freire tinha a convicção de que seria vitorioso: "Ninguém impedirá a vitória da Oposição com manobras que evidenciam a torpeza de quem está desesperado". Mas, o senador acabou derrotado.

Veja, a seguir, como a imprensa brasileira divulgou o seqüestro e a nota divulgada pelo então presidente do PMDB, Jarbas Vasconcelos, que classificou o episódio como "uma estúpida agressão" e condenou "a vilania dos nossos adversários".

Jornal do Brasil noticia seqüestro de deputado

No final de abril de 1981, o Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, divulgou a seguinte notícia sobre o seqüestro do deputado fedreal Fernando Lyra e da esposa do senador Marcos Freire:

"Em maio do ano passado, o sr. Marcos Freire quis comprar um carro Opala, metálico, do sr. Fernando Lyra. Combinaram que a mulher do senador iria com o deputado até uma firma de automóveis, na W-2, para verificar as condições do carro. O sr. Fernando Lyra entrou no escritório da empresa e ao voltar 15 minutos depois, encontrou dois homens armados dentro do veículo. Um deles estava com o revólver encostado no ouvido da sra. Carolina Freire que se encontrava lívida".

"O que tinha o revólver apontado para a mulher do senador mandou-o entrar no carro e o acusou de ser chefe de uma quadrilha de tóxicos. O sr. Fernando Lyra contestou e procurou identificar-se, bem como a sra. Carolina Freire. Os assaltantes não aceitaram as explicações e mandaram-no seguir com o veículo. Posteriormente, um deles assumiu a direção do carro e levaram o seqüestrado para um lugar desconhecido."

"O sr. Fernando Lyra foi obrigado a ficar nu. Como se recusasse, os assaltantes dispararam alguns tiros de metralhadora na direção dos seus pés. A sra. Carolina foi obrigada a ficar em trajes menores. E os dois, fotografados. Ambos foram deixados em um lugar ermo."

"O sr. Fernando Lyra, ao chegar em casa, reuniu-se com o senador Marcos Freire e com D. Carolina para relatar o fato. Compareceu, depois, o sr. José Carlos Vasconcelos, cunhado do senador. A decisão foi a de que agiriam com a maior cautela para evitar constrangimento para as famílias."

"O único parlamentar consultado foi o sr. Freitas Nobre (SP), então líder do PMDB. Ficou resolvido que seria feito um registro sigiloso na polícia. Uma sugestão para que o senador e o deputado comunicassem o fato ao Ministro da Justiça não foi aceita, para evitar conotações políticas."

"Nos dias subseqüentes ao seqüestro, o sr. Marcos Freire e o sr. Fernando Lyra foram sucessivamente ameaçados: as fotos seriam espalhadas em Pernambuco. As ameaças pararam e eles acharam que estavam sendo vítimas de uma chantagem."

"No início de março último, quando o sr. Marcos Freire foi escolhido líder do PMDB no Senado, voltaram os telefonemas anunciando que as fotos seriam divulgadas. A conselhos de amigos, resolveram, para evitar a chantagem, deixar que o assunto fosse noticiado, com reservas. A 16 último, o jornalista Carlos Chagas referiu-se ao seqüestro da sra. Carolina Freire e do sr. Fernando Lyra como uma prova de violência política, no jornal O Estado de São Paulo."

A nota do PMDB

A 20 de abril de 1981, o presidente do PMDB em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, distribuiu a seguinte nota oficial sobre o episódio:

"Tivemos conhecimento do atentado envolvendo o deputado Fernando Lyra e o senador Marcos Freire no dia imediato à sua ocorrência."

"Desde o primeiro instante, o problema recebeu os cuidados e a orientação do deputado Freitas Nobre, então líder do PMDB na Câmara, que, com o deputado Fernando Lyra, procurou o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e solicitou as diligências que o caso estava a exigir, ao tempo em que pediu, em defesa do resguardo e da proteção das famílias atingidas, que as investigações e o próprio fato fossem mantidos sob sigilo."

"A partir de então, embora atentos ao desenrolar dos acontecimentos, inclusive no tocante às tentativas de extorsão, respeitando a orientação do deputado Freitas Nobre, entendemos do nosso dever manter reserva sobre o fato, a qual, somente agora e em virtude do vazamento do episódio, estamos quebrando."

"E, fazendo-o, falamos em nosso nome pessoal e como presidente do PMDB, procurando traduzir o sentimento de revolta de todos os pernambucanos."

"A estúpida e torpe agressão fere todo o corpo social."

"Marcos Freire é patrimônio do Partido e da própria comunidade, pela grandeza e bravura com que tem se portado nos atos de sua vida e de sua militância como líder político. O mesmo deve ser dito do honrado e combativo deputado Fernando Lyra."

"Foram vítimas de atos que, em defesa da sociedade, sempre combateram com determinação e coragem."

"Registramos o nosso protesto e advertimos que a vilania dos nossos adversários encontrará sempre nossa repulsa e a nossa inabalada capacidade de luta." (Jarbas Vasconcelos)

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