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Arraes: discurso 30 – Camocim de São Félix, 06/09/1998

30 - "Os especuladores não têm nenhum compromisso com a solução das questões nacionais" (Comício no município de Camocim de São Félix, 06/09/1998)

Meus amigos,

Estamos empenhados em mais uma campanha. Já são muitas que fez este que vos fala. Lutamos há bastante tempo e sempre fomos um homem atacado fortemente pelos adversários que tivemos no curso da nossa vida pública.

Em 1964, esses ataques chegaram ao que vocês já sabem, à minha prisão e ao meu exílio. E nunca vim me queixar nem de Ter sido preso nem de estar exilado. Acho que isso é coisa pela qual nós temos que passar se defendemos os interesses do povo, quem defende os interesses dos mais pobres. E quem defende os interesses dos mais pobres, da população mais carente está sujeito a essas coisas e a mais do que isso.

Porque fui acusado de comunista, de agitador, disso e daquilo, mas nunca conseguiram provar nada contra mim. E ninguém jamais ousou fazer-me acusações, pois nunca tive coisa mais do que uma casa para morar, um terreno, coisas desse tipo.

Minha vida todo mundo pode saber, pois nunca gostei de dinheiro pra ter muito dinheiro. Gosto de dinheiro pra gastar. Pra gastar, todo mundo gosta. Mas, pra ter dinheiro... Dinheiro é uma coisa perigosa. Na mão de uma homem público é um desastre.

Vêm eles com esses ataques. E eu não vou me defender porque não tem nenhuma acusação concreta que eles possam fazer. Mas, como homem público, eu devo satisfações ao povo. E, se o povo tiver alguma desconfiança, se o povo quiser saber o que eu tenho, saber como comprei, eu estou à disposição para explicar a qualquer um que de boa fé queira saber. Mas não vou perder meu tempo trocando palavrões, com a baixaria que eles estão fazendo aqui em Camocim e em toda parte.

Aqui foi falado que colocamos água em Camocim, energia em quase todas as propriedades rurais, isso e aquilo. Isso já tá feito, ninguém me deve nada por isso. É minha obrigação fazer. Tenho a satisfação de dizer que, sendo todas as propriedades eletrificadas, deve ter gente de tudo que é de partido no meio daqueles que receberam energia.

E nunca ninguém perguntou em que partido ele votava, porque ele é um cidadão como todos os outros. O que nós queremos é que o povo veja essas coisas não como dadas pelo governador, é um direito que o povo tem: de Ter água, de Ter luz, de Ter escola, de Ter saúde. E é pouco, pois ainda tem muita coisa por ser feita nesse Estado, nesse Nordeste.

O que queremos é olhar no futuro. E o futuro exige que tratemos, com mais força, da qualificação profissional da nossa gente. Que o nosso pessoal, todo mundo aprenda mais alguma coisa, para poder aumentar a produção do Estado, para poder Ter uma vida melhor.

Esse começo de qualificação, que está sendo feito já nesse governo, precisa ser aumentado, generalizado, para que nós possamos reorganizar a produção de Pernambuco e a mão-de-obra qualificada, com gente que comece a aprender novas técnicas e sair só daquilo que aprendeu a muito custo na vida de todo dia, trabalhando nas roças, trabalhando em vários sistemas. Essa é uma questão importante. É essa a obra mais estruturadora que se pode fazer no Estado. Há obras como Suape.

Temos que fazer uma estrada de ferro. temos que fazer muitas coisas materiais para que o Estado funcione melhor. Mas isso de nada vale, se não tratarmos da nossa gente e do nosso povo, se não tratarmos de conduzir a nossa juventude para as ocupações que ela merece, para um trabalho que nos dará condições de ganhar a vida no futuro.

Esse trabalho, que iniciamos há muito tempo, faz com que os poderosos dessa terra sempre tenham me combatido. E eu tenho a honra de ter sido governador três vezes, o único a se eleger contra eles. Em 62 ser eleito contra todos os usineiros deste Estado, contra todos os ricos, com o voto da periferia do Recife, da Zona da Mata e da periferia das cidades pernambucanas.

Por isso, sou considerado por muita gente como um perigo, porque não me baixo também. Em 64 preferi ser preso a negociar com militares rebelados contra o presidente da República. Preferi ir pra cadeia e passar 14 anos fora, para poder voltar diante do povo e poder dizer que honrei o mandato que o povo me conferiu.

Paciência, vocês sabem que eu tenho. Esperei 14 anos para voltar. E, ao voltar, fui recebido nessa terra por quem? Na primeira eleição, com a população dos municípios mais pobres, a população pobre do Recife, a população da região metropolitana, trabalhadores da Zona da Mata, os antigos ferroviários, gente que me conheceu e não só votou como ensinou aos seus filhos a votarem no meu nome quando eu me apresentasse para qualquer cargo eletivo nesse Estado.

Ouvi isso de muitos jovens e sobrevivo politicamente porque essa força, que é a força do povo, o testemunho dos mais velhos, faz com que não desapareça a força popular de Pernambuco que não sou só eu, é composta de muitos companheiros que vão levar para frente essa luta.

Espero que Pernambuco desta vez se una, pois temos dias difíceis pela frente. A política do governo federal, que nós combatemos aqui na última eleição dizendo que a estabilidade da moeda muito bem, mas que não há estabilidade de moeda se, socialmente, não se equilibra a situação do povo. E a situação do povo está desequilibrada aqui, no País todo e no mundo todo.

Hoje, mesmo nos países mais ricos, a gente marginalizada e excluída cresce muito, para desespero daqueles que pregam e que pregavam a política de entrega do nosso País, da abertura indiscriminada das portas da nação brasileira para que aqui entrem os especuladores, aqueles que não têm nenhum compromisso com o nosso povo nem com a solução das questões nacionais.

O combate que nos é feito, é feito a esta causa que eu, por vezes, represento como agora. E, para que se represente uma causa como esta, é necessário ter a sustentação do povo, porque ninguém tem força sem o povo unido, organizado e consciente.

Mais do que água, mais do que eletrificação rural, a coisa que eu possa ter feito nesse Estado é, no curso da minha vida, ter procurado lutar para que o povo tenha liberdade, para que o povo tenha consciência da política, para que o povo tome nas suas mãos o seu destino, cada vez mais organizadamente. Pois temos que reverter a situação de dificuldade que existe não só no Nordeste, mas em toda a nação brasileira.

Volto aqui diante de vocês para, mais uma vez, pedir o voto. Pois, convocado pelas forças populares de Pernambuco, não podia faltar na minha colaboração e, até onde eu puder, na luta contra tais dificuldades que são grandes mas que serão vencidas com a nossa determinação e a nossa força, com a unidade do povo pernambucano. Vamos votar em Lula, Humberto Costa e nos candidatos da Frente Popular.

Muito boa noite e até outro dia, se Deus quiser.

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