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Arraes: discurso 29 – Lajedo, 22/08/1998

29 - "Temos um País afogado numa crise, um País cheio de desempregados de norte a sul" (Comício no município de Lajedo, 22/08/1998)

Meus amigos,

Essa caminhada que agora fazemos é determinante para o futuro do nosso País e para o futuro de Pernambuco. Não porque eu esteja em causa como candidato, mas porque os acontecimentos e a situação assim indicam. Temos um País afogado na crise, uma País cheio de desempregados de Norte a Sul, um País onde os recursos se concentram cada vez mais no Centro-Sul e nas mãos de alguns grupos. Um País cujos municípios minguam e os Estados pedem recursos, sem condições de atender uma situação social cada vez mais grave. Um País onde a juventude não tem perspectivas.

Um País que está, como muitos países desse mundo, afogado na crise provocada pelo neoliberalismo implantado de cima pra baixo, em todas as ações dessa terra.

E nada que é feito de cima pra baixo pode dar certo. As coisas se constroem tem que ser de baixo pra cima; que vêm do povo pra cima e, não, impostas como uma carapuça em cima da população. E é isso que está sendo feito. E isso já nos preocupava quando aqui estive em Lajedo (e em todo o Pernambuco) nas eleições de 94, quando dizia que nós tínhamos graves dificuldades e estas dificuldades é que me faziam ser candidato.

Porque, se as coisas estivessem fáceis, não precisava mais da minha presença, eu podia ir pra casa, já tinha trabalhado muito tempo e havia outros que tomariam meu lugar. Aceitei em razão dessas dificuldades, em razão do apelo dos companheiros, tal como agora faço pela quarta vez. Porque eu não quero fugir à luta que sempre travei nesse Estado.

E ninguém vai me acusar de ter ido pra casa, me deitar numa rede, enquanto o mundo se acaba aqui fora, com essa situação de dificuldade que todos vocês conhecem. Prefiro enfrentar as dificuldades, junto com os companheiros e com vocês todos, para, na medida das minhas possibilidades, emprestar a experiência de 50 anos de luta, para transmiti-la à juventude que poderá conhecer os meus acertos e os meus erros, das minhas dificuldades de como se deve fazer um caminho tão longo e tão duro como o que tive que percorrer.

E as coisas que são duras para os olhos do mundo não têm tanta dureza assim, porque, vocês vejam, eu nunca vim me queixar daquilo por que passei e acho até que devia Ter passado por que passei, inclusive devia ter ido pra cadeia. Não porque fosse culpado. Devia ter ido pro exílio. Não porque devesse por justiça sair do meu País. Mas porque a gente aprende com as dificuldades, aprende com a dureza, porque a dureza da vida também ensina e é importante que se aprenda.

Não que se procure ir pra cadeia ou pro exílio, mas se for, tome essa situação como uma lição que a gente traz para fortalecer as nossas convicções. Nenhuma dessas coisas mudou as minhas convicções. E, se eu não as tivesse, teria largado de um lado, em 64, aderido ao golpe militar, e era um homem desmoralizado diante do povo de Pernambuco.

Tenho condições de falar diante de vocês, sobretudo por esse gesto, o gesto de preferir ir pra cadeia a abdicar das suas convicções e da sua posição política. E é por isso que nessa fase que estamos vivendo, quando o nosso Estado, o nosso povo é discriminado, nós assumimos a mesma posição: a de não nos dobrar diante das discriminações que não são poucas dos nossos adversários, com vistas a essas eleições de 04 de outubro.

Pois o que eles imaginaram e imaginam é que, tendo eu declarado que só venderia a Celpe se fizéssemos a eletrificação do estado... Porque ninguém vai se dispor a botar, como negócio, energia elétrica nos confins desse Agreste, bota por razões outras que não a remuneração que dar aquele negócio; ninguém vai financiar o pequeno proprietário pra botar luz.

Primeiro, porque não tem recursos para isso. Mas, se tivesse, isso não dá resultado senão em trinta, quarenta anos. E é necessário que o Estado interfira, para que não fique eternamente sem uma coisa que já devia ter tido há 50 anos, fique sem energia a grande parcela da nossa gente...

Essa posição que assumimos, esse caminho que temos seguido e que temos certeza que vamos prosseguir, não é o caminho dos nossos adversários. Quem toma o caminho da defesa da população, sofre os ataques mais violentos dessa gente acostumada a mandar em Pernambuco de outra forma, acostumada a impor ao povo a sua vontade, a usar o poder para constranger a população, a usar o poder simplesmente para se reeleger novamente e, ao se reeleger, fazer de novo as mesmas coisas para continuar no poder e dele viver.

Eles, agora, nessa fase, desandam os mesmos ataques contra nós. Ataques os mais diversos, até insinuam coisas que jamais pratiquei na minha vida. E, se alguém que desconfie dos procedimentos que tivemos, posso dizer aos meus adversários que, tirando à parte a minha casa onde quero viver com a minha mulher, que é a única coisa que depois de 60 anos de trabalho não posso vender, todos os meus bens, tudo o que eu tiver eu troco pelos bens de qualquer um deles.

Troco agora, assino o papel para trocar. Porque eles é que têm. Eles que nos acusam, que insinuam. Porque me acusarem não têm por onde. Eles que insinuam é que têm que explicar onde foram arranjar os bens que possuem. Eu não preciso.

Chegam a esse extremo e eu não quero fazer campanha acusando ninguém. Não sou juiz de ninguém. Quero fazer uma campanha política (tenho repetido), mostrando o que é possível fazer, o que não é possível fazer, sem nenhuma promessa, porque nunca fiz promessa em praça pública, para ter votos, como os deslumbramentos que eles botam na televisão. Parece que, se eles se elegerem, Pernambuco está salvo em 24 horas, muda tudo e isso aqui fica um céu, um paraíso. E eles acham que o povo não tem consciência, que o povo vai atrás dessas coisas.

Quando o povo vive uma realidade muito dura, o povo não pode Ter a ilusão de que as coisas se resolvem do dia pra noite. Porque cada um de nós sabe das dificuldades para resolver os nossos problemas, para resolver o problema do emprego, o problema da feira, os problemas que se apresentam no dia-a-dia.

Então, como é que se faz a mágica de transformar tudo isso, quando nós estamos numa luta de muito tempo e sabemos que essa luta vai mais adiante? E que ela precisa contar com o apoio, com a unidade e a decisão, a determinação da nossa população, com a consciência cada vez maior que ela tem adquirido.

Estamos aqui na praça pública. Eu, Fernando, Humberto Costa, os deputados federais e estaduais, para dizer ao povo de Lajedo que aquilo que foi feito, que aquilo que está na boca dos que falaram como grandes coisas, isso é apenas o começo do que precisa ser feito.

O que se está pra fazer é maior do que a adutora de Lajedo, porque nós temos tantas adutoras pra fazer, que a de Lejedo fica pequeneninha diante dessa necessidade muito grande que têm Jupi, Jucati, que tem Calçados, que tem esse Agreste todo. E nós temos que nos unir, ganhar essa consciência para lutarmos juntos para resolver os problemas do Agreste, do Sertão, da Mata, de Pernambuco e do nosso País.

É nessa luta que estamos engajados e acredito que o povo de Lajedo vai ver que, para travarmos essa luta, precisamos de ter, de construir uma força nacional se possível com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva para presidente da República; de Humberto Costa para senador; dos nossos companheiros para deputado federal e estadual.

Mas tudo isso de nada valerá, se o nosso povo não estiver unido, se ele não estiver consciente desse caminho por vezes difícil, mas um caminho que nós temos que trilhar para construir o nosso futuro, o futuro do nosso Estado, o futuro da nossa gente. É para isso que estou pedindo voto pra vocês.

Muito obrigado e até outro dia, se deus quiser.

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