curta nossa página no facebook / Like us at Facebook Entre em nossa comunidade do orkut / Join us at orkut Siga-nos no Twiiter / Follow us at TwitterSiga-nos no Linkedin / Follow us at LinkedInAdicione-nos em seu círculos / Add us at your circles

Arraes: discurso 27 – Parnamirim, 04/09/1998

27 - "Estamos numa fase difícil da vida brasileira"
(Comício no município de Parnamirim, 04/09/1998)

Meus amigos de Parnamirim.

Aqui estive muitos anos atrás, quando pela primeira vez candidatei-me ao governo de Pernambuco. Andei, então, por esses sertões onde era pouco conhecido e onde chegava a palavra dos meus adversários que, naquela época, diziam que eu era comunista, incendiário e baderneiro. Desde aquele tempo, e antes até, fui um homem combatido nesse Estado. Combatido pelos mesmos que hoje me combatem, por aqueles que dominaram Pernambuco com apoio da elite da capital, da elite da Zona da Mata, o apoio dos usineiros.

Sertanejo que sou, fui eleito governador pela primeira vez sem o apoio dessa elite. Tive a honra de Ter sido o primeiro a se eleger contra eles, contra os privilegiados desse Estado. Esses ataques, essa luta continua. Mas eles estão perdendo terreno, pois não conseguem apontar nesses sertões nada que tenham feito de proveitoso para a população que ficou abandonada nessas caatingas, sem o apoio e a sustentação que poderiam vir de tantos e tantos anos de governo.

Quando voltei do exílio e da prisão de 15 anos, pois sou aqui do Araripe, encontrei os sertões ainda pior do que estavam quando saí. E, na falta de apoio às famílias sertanejas estão, na verdade, como dizia Fernando, as raízes de muita violência que existe por essas terras.

Não é o homem da ponta de rua que faz uma violência ou outra nos bares, porque bebeu cachaça. É uma violência organizada por gente que tinha palavra no passado, gente de família conhecida, com tradição nessa terra. É essa gente que está de armas na mão, atacando e agredindo. Porque a juventude dessa terra não encontrou respaldo... É uma violência que nem sempre pode ser contida somente com promessas pro futuro.

Essa gente sempre promoveu uma política de discriminação. Ela quer, então, dividir o sertão e o povo de Pernambuco, para se aproveitar eleitoralmente dessa divisão e dessa disputa. Nunca estive em parte alguma desse Estado para dividir o povo. Nem também vim à praça pública cobrar nada do que fiz. Pois o que fiz é muito pouco diante do mar de necessidades da nossa gente. E o que fiz, fiz para o povo de pernambucano de todas as tendências, sem querer saber se vota com ''A'' ou com ''B''.

Pois a coisa fundamental dessa terra é que nossa gente tenha consciência do seu poder, que escolha certo ou errado, mas escolha com a sua consciência. Porque se errar hoje, acerta amanhã através dos erros e da constatação dos erros que cometeu. O fundamental é que a população tenha liberdade, tenha consciência do que quer e ajude a educar politicamente a nossa gente mais sofrida.

O povo tem a consciência de que não estamos fazendo favor em botar água nas casas ou energia nas pontas de rua e nas propriedades rurais. Isso é um direito que ele tem e nunca lhe foi dado. Pois até para Ter uma carteira de identidade nessa terra era preciso o cartão de "A" ou de "B", favor de fulano e de beltrano. E é preciso que o povo saia desses mecanismos de dominação antigos, ultrapassados e injustos para uma era de liberdade e de trabalho, onde todos possam se unir para reconstruir a nossa terra.

Estamos numa fase difícil da vida brasileira. E, quando em 1994 passamos pelos vários municípios de Pernambuco, não dissemos que ia haver facilidades nem prometemos nada, como nunca prometemos em toda nossa vida pública. Prometemos uma única coisa: trabalhar para o povo, não discriminar ninguém, olhar pelos mais pobres e mais necessitados. Nunca disse que riria botar energia elétrica, nem fazer obra tal ou qual.

As coisas vêm através das necessidades e de nós podermos construir mais ou menos, conforme os recursos de que podemos dispor. Em 94, ao contrário, passei por todos os municípios dizendo das dificuldades que nós íamos enfrentar; que a política que existia no País (e que é representada pelo atual presidente) ela iria nos levar para uma crise cada vez maior. Crise que iria se repercutir cada vez mais, e com mais intensidade, sobre as regiões mais pobres do País, sobretudo para o Nordeste brasileiro.

Está aí a crise se acentuando e, daqui a pouco, ele não terá o que dizer a nossa gente. Porque, depois de todos os avisos que foram dados, depois de todas as análises que foram feitas, depois dos exemplos ocorridos no mundo de que não é possível escancarar as portas do País como ele fez, sem trazer resultado com este, ele não tem desculpas e não pode se justificar diante da nossa gente. É necessário que tomemos consciência disso.

Tomemos consciência de que não são promessas de televisão que vão salvar o povo. O povo se salva pelo seu esforço. E o nosso dever é o de organizar o povo, de ajudá-lo naquilo que for possível, para que ele, unido, possa romper essas dificuldades. Para que possamos atravessar a crise que aí está.

E, de crise, já temos experiência, já atravessamos muitas delas. Mas temos que atravessar essa crise com consciência de que podemos construir agora, pelas condições políticas que tem o nosso estado, pela unidade que tem no seio do seu povo, e nós podemos construir cada vez mais um Pernambuco melhor, um Pernambuco que contribua também para redirecionar o destino do nosso País.

É por isso que precisamos eleger, a nível federal, um pernambucano trabalhador que olhe para essa região tão sofrida: Luís Inácio Lula da Silva. Precisamos eleger Humberto Costa senador; os candidatos a deputado federal e estadual da Frente Popular; para que, com a vitória de 04 de outubro, possamos continuar trabalhando na mesma direção, em benefício de toda a comunidade.

Muito obrigado a vocês e muito boa noite.

Powered by Bullraider.com

Parceiros

Publicidade

PE A-Z © Todos os direitos reservados

Console de depuração do Joomla!

Sessão

Informação do perfil

Memória Utilizada

Consultas ao banco