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Arraes: discurso 26 – Recife, 06/08/1998

26 - "Penso do mesmo jeito de quando era estudante de Direito"
(Em ato de apoio dos evangélicos a sua candidatura, Sindicato dos Bancários, Recife, 06/08/1998)

O pastor, demais componentes da mesa, meus amigos,

Humberto Costa começou falando da sua formação, no começo da sua vida, e o começo da vida e a formação que temos no começo é muito importante, determinante para o que se faz depois. E a minha formação, no interior do Ceará, sertão do Ceará, foi marcada pelas posições dos meus pais. E o meu pai dizia e repetia sempre que um acontecimento indicava essa afirmação. Dizia: "Meu filho, o sol nasceu pra todo mundo.

Ninguém pode acabar com essa igualdade que temos no mundo, pois iguais todos nós somos, pretos, brancos, ricos, pobres, nós somos iguais e o sol que nos cobre nos iguala. Se as diferenças podem existir noutras coisas, nisso não. E, se ele nos iguala é porque as desigualdades noutros planos não devem prevalecer. Se nós temos diferenças, essas diferenças não são o que vão levar a retirar o espírito da igualdade de todos os homens".

Não eram só palavras que ele dizia. Porque as palavras, muitas vezes, não valem nada. Era a prática que ele sempre teve, ele nunca distinguiu as pessoas que trabalhava com ele. E me habituei a respeitar os seus empregados mais humildes, porque ele me dizia que devia obedecer a eles, que eram pessoas com mais experiências do que eu e que eu devia seguir essa trilha e devia ouvir todo mundo com respeito.

Quando eu vim pra cá e, de passagem digo, lá não havia evangélicos. Os evangélicos começaram a penetrar nos anos 30, 40. Antes eram muito poucos e meu lugar, aquele região era muito isolada. E eu vi os primeiros chegarem na cidade do Crato, quando era estudante do ginásio. Lá havia dois tipos de catolicismos: o catolicismo formal, formalismo religioso muito forte, e um catolicismo mais informal e mais aberto que dava gente como Padre Cícero Romão Batista, que foi expulso da Igreja.

Então, os católicos formais queriam impedir a presença dos primeiros evangélicos naquela ocasião, comandados por um padre intransigente. E meu pai foi a pessoa que foi defender os evangélicos, dentro dos princípios que ele mantinha. Ele era católico praticante, mas ele não admitia que alguém pudesse sofrer em razão da sua crença.

Quando eu vim pra essa zona, eu hoje estava falando num engenho no município de Catende, para os trabalhadores, e lá eu tive a oportunidade de dizer o choque que recebi, o choque cultural que eu recebi quando conheci a Zona da Mata de Pernambuco. Pois a desigualdade maior que eu já encontrei foi aí, naquele tempo, a discriminação maior que eu já encontrei foi também ali. E a luta para transformar, mudar essa situação penosa vem de muito longe e aqueles que começaram a penetrar entre os trabalhadores da Zona da Mata, e disso eu sou testemunha porque lá andei e vi, foram os evangélicos.

Pois os católicos dessa área eram homens, padres da casa grande. Sempre foi isso historicamente e a Igreja Católica, como instituição ligada ao Estado, não tinha condições de fazer o que os evangélicos fizeram, que era a primeira organização dos trabalhadores, para se reconhecerem e adquirirem personalidade.

Via que aqueles grupos de evangélicos, no meio de milhares e milhares de trabalhadores, era pessoas que se destacavam por uma atitude nova que tomavam. Foi, sem dúvida, importante essa presença. Pela primeira vaga de ensino, de ensinamento que receberam a grande massa de trabalhadores dessa região.

Portanto, a ação do evangelho de um lado e a ação política de outro, separadas, às vezes identificadas porque são duas ações importantes e necessárias, mas que não podem se confundir sob pena de uma mistura que não pode haver, essas ações visam melhorar a nossa gente e a nós próprios, visam melhorar o ser humano e a massa humana.

E esse melhoramento e o aproveitamento dos homens no trabalho é também uma maneira de formar, uma maneira de empregar os homens e de uni-los. Por isso, não só os religiosos, como os políticos que realmente cuidam do povo não podem adotar posições que coloquem o homem em segundo lugar.

O homem tem que vir em primeiro lugar.E se vem em primeiro lugar, nós não podemos privilegiar o sistema financeiro, as economias, as necessidades disso e daquilo, baseados em argumentação qualquer que seja, técnica o que for. Em termos políticos, se não se coloca na frente a população, está-se tomando uma postura que na religião corresponde aos formalistas religiosos, aos intransigentes, aos que não se abrem para a vida e para os outros.

Tenho, portanto, refletido e acompanhado, no curso da minha vida, essas ações que se fazem sobre a massa da população para poder ir entendendo as minhas funções de homem dedicado à luta popular em Pernambuco. E, por isso, toda vez que me encontro com os evangélicos, coloco as minhas posições.

E, quando vejo que cada um de nós tem que ter a função que lhe foi destinada na luta pelo bem comum. Temos que juntar nossos esforços. Cada qual carregando o peso que lhe coube, no setor que lhe coube, mas tratando de convergir nossos esforços para melhorar as condições de vida da nossa gente.

Isso é o compromisso que eu sempre tive e que mantenho, essa é a posição que sempre defendi e que defendo. E, quem quiser pode verificar o que disse e o que fiz nesses 50 anos de vida pública. Não há discrepância alguma nas posições que tinha aos 20 anos e aos 81.

Pois penso do mesmo jeito de quando era jovem estudante de Direito, de uma forma que sempre pensei e que sempre agi no curso da minha vida. Pra mim é uma honra ter o apoio dos evangélicos de Pernambuco. Porque sempre reconheci uma força importante no trabalho que realiza com a nossa gente.

Muito obrigado.

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