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Arraes: discurso 23 – Timbaúba, 02/08/1998

23 - "Nunca prometi felicidade a ninguém"
(Comício em Timbaúba, 02/08/1998)

Meus amigos

Venho novamente pedir votos a vocês para um quarto mandato de governador do Estado. Muitos me perguntam por que eu me candidato novamente. E, entre muitas outras razões, poderia dizer que não gosto de deixar as coisas pela metade e que quero concluir aquilo que vem sendo feito e começar novas coisas nesse Estado.

Pois, quando deixei o governo na outra vez, muitas coisas ficaram paralisadas ou foram destruídas. Isso que Fernando falou da zona da mata, a reprodução de cana por biotecnologia e a reprodução de outras culturas pelo mesmo caminho, que foi começada no governo passado... o abandono desse trabalho que se iniciava, pois é um trabalho que não é só comprar máquinas ou fazer uma obra, é um trabalho que exige a preparação de gente especificamente para ele, é um trabalho novo, é um trabalho que está sendo feito em todo canto e que precisa ser feito em Pernambuco e no Nordeste, sob pena de ficarmos com culturas sem produtividade, sem avanço na agricultura e sem avanço na criação.

Esse e outros trabalhos precisam ser continuados. E não andaram mais depressa porque, quando eu assumi o governo desta vez, Pernambuco pagava de cada 100 reais que recebia 82 para o funcionalismo público, ficava 18 reais para reparar escolas, para reparar estradas, para atender a saúde e para atender muitos outros serviços, inclusive a segurança pública pela qual o povo exige, em respeito a violência que se desencadeia no País inteiro.

Para se Ter uma idéia, quando deixei o governo da vez passada, deixei 1.200 veículos com a Polícia Civil e Militar. E, quando reassumi, não tinha 300, todos eles usados, sem eficiência e sem as condições de dar a segurança que a população queria.

Dar a continuidade do trabalho que vem sendo feito é para consolidar a Frente Popular de Pernambuco, na qual me engajei há 50 anos, lutando para que existisse liberdade nesse Estado, lutando para que os trabalhadores tivessem condições de se organizar. E só quando assumi o governo, em 1963, é que os trabalhadores da cana puderam formar sindicatos, pleitear os seus direitos. Pois naquela época, a Polícia do lado dos patrões cobria uma injustiça clamorosa que era o pagamento de metade de uma salário mínimo, era aquilo a que tinha direito os trabalhadores da cana.

E essa luta que vem de longe, porque as coisas não se fazem do dia pra noite, a luta que vem de longe e que vai continuar precisa Ter gente coerente que possa estruturar e ajudar a estruturar esse Estado e a colocá-lo na vanguarda das lutas pela democracia e pela liberdade no nosso País.

E, quando falo em democracia, não falo em eleição, falo nos direitos que têm sido negados ao povo, no direito a água, a energia elétrica, no direito a saúde, à educação. Pois eles entendem democracia apenas como um instrumento para se elegerem e nada fazerem pelo povo.

A eletrificação rural e a eletrificação urbana das periferias das cidades de Pernambuco não era feita, era apenas para as grandes propriedades, o pequeno não tinha direito a energia que vai não só para que ele possa Ter objetos, equipamentos domésticos, mas para ajudar também no seu trabalho e melhorar as condições desse trabalho no campo.

Nunca ninguém nesse Estado viu este que vos fala discriminar ninguém. Nunca perguntei ao cidadão pernambucano em quem ele votava para fazer alguma coisa por ele, pela sua família, pela comunidade em que ele morava. Porque o povo que... Este é o maior trabalho que pode ser feito...

É ensinar ao povo que ele tem direito. Por cima das vontades dos que governam, ele tem direito que se sobrepõe à minha vontade. E eu não tenho como utilizar o poder que vocês me dão com o voto para perseguir ninguém, para discriminar ninguém. Pois é o que estão fazendo com Pernambuco, é essa discriminação de que falou aqui Humberto Costa.

Discriminação clamorosa, injusta, para ver se nós baixamos a cabeça e se Pernambuco perde a sua história que sempre foi uma história de resistência e de dignidade. Ninguém vai fazer com que nós nos curvemos. E o povo não vai desesperar porque o dinheiro a que temos direito não chegou hoje, ele chega amanhã, com a nossa unidade, com a nossa firmeza, esse dinheiro chega amanhã ou outro dinheiro.

E vejam bem: a coisa principal na vida não é dinheiro. A coisa principal na vida, a mais forte, a mais poderosa é o trabalho do povo. É isso que constrói. O povo, quando decidido a fazer, ele faz, realiza, se entende que a causa no trabalho que faz é justa e serve a todos.

Não tenho receio da resistência que estamos fazendo. Porque sabemos que é esta a posição dos pernambucanos. Mesmo porque nossos adversários que aconselham em baixar a cabeça e unir simplesmente para jurar as autoridades da República, estes que têm vice-presidente, que têm ministros, que têm isso, têm aquilo, o que trouxeram para Pernambuco?

A vergonha de se curvarem diante dos poderosos, a vergonha de não confiarem na unidade do povo, que é a força da nossa unidade é que vai romper essa discriminação. Pois também nos outros Estados há gente que não aceita essa discriminação que pode se virar contra eles em qualquer momento.

Vamos avançar, portanto, mesmo que com dificuldade. Pois nunca prometi facilidade a ninguém. Hoje, o Promata e alguns programas que estão em uso é um remendo apenas daquilo que deveria ser feito. Pois muito mais devia ser feito nessa região canavieira.

Na medida em que o governo federal se ausentou de definir uma política para a cana de açúcar no País, como era da sua obrigação, e lançou as regiões canavieiras falidas nas costas dos governadores e dos prefeitos que, de uma hora para outra perdemos recursos, temos que apertar os cintos pelo menos para ter uma certa presença junto aos trabalhadores desempregados para dar sustentação às suas famílias e podermos, a partir disso, soerguermos a economia canavieira de Pernambuco.

É falando claro e falando a verdade que nós podemos avançar, porque o povo vai ter consciência da importância dessa eleição que não é uma eleição como outra qualquer, é uma eleição em que Pernambuco ou sucumbe diante dos poderosos desse País ou reafirma a sua história. E eu estou certo de que os pernambucanos vão reafirmar a sua história nas urnas de 04 de outubro, votando em Lula, votando em Humberto Costa, votando em Fernando Bezerra Coelho, votando nos deputados da Frente Popular.

E, depois da eleição, nós temos um trabalho de reorganizar com as nossas forças, reorganizar o Estado. Continuar a reorganização que vínhamos fazendo e dando maior consciência a nossa gente. Porque é a consciência da nossa gente que pode nos levar para os objetivos que queremos de justiça social.

Meus amigos de Timbaúba, nesta noite em que novamente peço o voto de vocês, peço porque sei, na minha consciência, que nos 50 anos de vida pública que tenho nesse Estado, jamais segui outro caminho que aquele de procurar unir a nossa gente, unir os trabalhadores e fazer com que aqueles mais necessitados, que nem voz nem vez tinham, possam Ter a palavra para reivindicar os seus direitos. Agradeço a vocês a presença nessa praça. Vamos a 4 de outubro com Lula, Humberto Costa e os candidatos da Frente Popular em Pernambuco.

Muito boa noite e até outro dia.

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