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Arraes: discurso 19 – Petrolina, 23/07/1998

19 - "Aqui nós resistiremos, precisamos mudar também o plano federal"
(Comício em Petrolina, 23/07/1998)

Meus amigos de Petrolina,

Nosso querido amigo Fernando quando chega em Petrolina vira menino, fica alegre, emocionado e vai buscar coisas do passado, vai buscar coisas de um passado já longínquo, e nós temos que nos voltar no passado e no presente para construir o futuro. Pelos exemplos e as experiências vividas, temos sempre que olhar pela frente, mas ele na sua fala me levou para trás, me levou para os tempos em que eu tinha menos anos de idade, porque jovem eu sou até hoje.

Fernando foi desencavar meu grande amigo Fernando Bezerra, pai do Paulo, avô dele, que conheci como secretário da Fazenda de Barbosa Lima Sobrinho. Fernando Bezerra em Ouricuri era uma figura simples, determinada, um homem confiável quando com ele se falava, que acertou como prefeito de Ouricuri, construiu um hospital e várias obras realizadas naquele município. Eu tive a satisfação de ajudá-lo, numa época extremamente difícil para o estado, de arranjar algumas coisas que pudessem facilitar sua tarefa como prefeito.

Mas até aí, tudo bem, era um prefeito como qualquer outro prefeito que vai procurar o secretário da Fazenda. Mas eu estava em Salgueiro fazendo inspeção nas coletorias do estado e recebo um telegrama dizendo que no Exu tinha havido um tiroteio e morte e que eu fosse para lá. E foi o começo da chamada tragédia de Exu, neste dia eu lá chegando encontrei Fernando Bezerra.

Como secretário da Fazenda, inexperiente, eu tinha 32 anos de idade, a cidade ocupada por mais de 100 homens a mando de Chico Romão, que por sinal era irmão do morto, Chico Romão dominou a cidade e nós fomos enfrentá-lo e quem tinha obrigação de enfrentá-lo era eu, mas foi Fernando Bezerra quem me guiou nos diferentes passos daquele dia e naquela noite em que passei em pé na cidade de Exu, para evitar que atacassem a cadeia e que matassem os que lá estavam presos.

Neste país tem coisas incríveis, porque a polícia do Exu era de Chico Romão e nós só tínhamos seis soldados, um sargento e cinco soldados para guardar a cadeia e Chico Romão insistia em atacar a cadeia para vingar a morte do irmão antes que os enterros se fizessem no dia seguinte. Dividi com Fernando esta parada e não dá para contar nesta assembléia tão grande. Ficamos ligados por este fato, um fato importante, dramático, mas que nós conseguimos ultrapassar, inclusive indo para a cadeia, e dizendo a Chico Romão que atacasse que nós estaríamos lá para defender os presos que lá estavam.

E quem estava e era um homem principal na defesa da cadeia era um sargento, deste tamanho mas muito mais baixo do que Ranilson, armado e que tinha sido cabra de Lampião. Regenerado, ele entrou na Polícia de Pernambuco e que dizia para mim: aqui passa por cima do meu cadáver mas não se mata este preso. E por sinal, para surpresa minha, o preso já estava armado por ele, armou o preso para o preso não morrer sem ter defesa. Isto é coisa deste sertão, que vem de muito longe, onde Fernando iniciou o seu discurso.

Mas eu fui candidato a deputado estadual em Pernambuco porque Fernando Bezerra quando distinguia o governo de Barbosa Lima Sobrinho, e eu não tinha nenhuma pretensão de ser candidato a coisa nenhuma, ele foi lá me arrancar da secretaria da fazenda, falou com Barbosa e com Agamenon Magalhães e disse que ia votar comigo para deputado estadual e eu ia representar o município de Ouricuri. E vejam bem, me jogou neste precipício de onde nunca saí mais e que não vou sair pelo visto aqui nesta praça, capaz de me eleger de novo governador de Pernambuco.

É muito tempo percorrido, foi ele o responsável por tudo isto que se passou neste longo período da minha vida. Devo lhes dizer que não era político, eu tinha consciência política que adquiri jovem ainda e quando olho para trás vejo que me tornei político na seca de 1932, quando eu vi gente morrer de fome, quando vi a revolta dos flagelados da seca, de facão na mão, de enfrentar a polícia para exigir comida para matar a fome de seus filhos.

E é por isso que me recuso, sempre me recusei, a reprimir o povo, eu não me recuso por teorias, me recuso porque vi, me recuso porque senti, porque conheci o povo pobre de nossa terra e vejo como dizia agora em Lagoa Grande, que a minha lembrança de Lagoa Grande quando passei por lá em 82 era uma mulher numa rede armada debaixo de uma árvore, com meninos pequenos em volta dela, de necessidade de retirante.

Isto não sai da minha cabeça, como não sai de minha cabeça a de 32, dos flagelados da seca que passavam na casa do meu pai, e aqueles que se revoltaram. Como é que eu, tendo visto isso, presenciado estas coisas, posso me submeter à ordem do presidente da República que quer que eu bote a polícia em cima dos famintos desta seca?

Claro, importante é atender ao nosso povo, devo dizer a vocês que pela primeira vez, vejo um governo federal negociando a ajuda que vem para os sertanejos tradicionalmente. Dom Pedro II dizia que ia vender as jóias de sua coroa para o povo nordestino. Mas não vendeu jóia nenhuma, não teve coragem de dizer que não atendia ao nordestino.

Este governo é o único que regateia com a ajuda que deve ser dada a todos os sertanejos famintos, atingidos pela pior seca deste século. Tenho este caminho muito claro, caminho que não é fácil, caminho que a gente recebe os ataques mais acirrados das elites deste estado.

Durante 50 anos tenho sido combatido no passado quando me chamavam de comunista e agitador e, depois que voltei, combatido pela mesma elite que não tolera a existência de um governo popular que democratiza os serviços públicos, que ajuda o povo na sua sobrevivência, que passa a organizar a população do nosso estado.

Meu propósito agora que o estado está recomposto depois da calamidade que foi a administração dos meus antecessores, é uma proposta de um estado arrumado e, uma vez convocado pelos meus companheiros, de dar seguimento... (fim da fita) de requalificar o nosso povo, de instruí-lo, de dar condições de conhecimento para vencer os novos tempos que estão se abrindo.

E isso eles nunca fizeram e nem vão fazer. E nós vamos organizar o povo na medida em que conseguimos estabilizar o estado, organizar o povo para estabelecer em Pernambuco uma resistência contra a exclusão que vem da política do governo federal. Precisamos, em função da repercussão negativa desta política, precisamos mudar também o plano federal.

Aqui nós resistiremos, mas será mais simples se nós pudermos devolver um poder natural a nível federal. Demover os que lá estão, concentrando riquezas e excluindo a maioria da população brasileira. Vamos eleger um pernambucano, trabalhador, Luís Inácio Lula da Silva, para governar o nosso país, já que ele tem a compreensão do nosso povo, da sua necessidade.

E o nosso povo não quer nada, quer condições dignas de trabalho para todo mundo, para que haja perspectiva para a nossa juventude. Vamos eleger Lula, Humberto Costa senador da República, Fernando Bezerra Coelho e todos aqueles se apresentam na Frente Popular como candidatos proporcionais. Confio em Petrolina, há de atender ao apelo de Fernando e que agora faço para que unidos marchemos para uma grande vitória a 04 de outubro.

Muito obrigado.

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