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Arraes: discurso 18 – Santa Maria da Boa Vista, 23/07/1998

18 - "Eu faria qualquer coisa pelo povo, menos me dobrar"
(Comício no município de Santa Maria da Boa Vista, 23/07/1998)

Meus amigos,

Lembro de que aqui passamos na última campanha eleitoral em 94. Nada prometemos ao povo, porque não somos de fazer promessa, como todos sabem neste estado. Dissemos que aceitávamos a tarefa que nos era dada, porque Pernambuco estava em dificuldades, que nós iríamos ter grandes dificuldades pela frente e eu não podia me recusar a lutar pelo povo para superar estas dificuldades que já se anteviam grandes e penosas.

Duas razões me levavam a dizer isso naquela ocasião, primeiro eu sabia a que a administração do estado tinha sido desbaratada pelos que me sucederam no governo. Para se ter uma idéia, de cada cem reais que o estado recebia, pagava 82 aos funcionários e ficava com 18 reais para saúde, educação, eletrificação, estrada, funcionamento do serviço de segurança. Quando saí do governo deixei 1,2 mil viaturas de polícia. Encontrei menos de 300, todas rebentadas, porque não compraram nem reformaram nada da Polícia Militar.

As empresas do estado, como a Compesa, não tinham crédito para comprar uma resma de papel na esquina, era preciso que o estado entrasse todo mês com dinheiro que deveria ser usado para outras coisas, para sustentar uma empresa que hoje tem crédito e que neste ano está investindo R$ 100 milhões botando água no estado inteiro. Assim como a Compesa, o Lafepe e até a Junta Comercial, que serve a comerciantes e empresários, todo mês ia buscar dinheiro dos cofres do estado, pela incúria e pela má administração que aqui existia. Sabia que as coisas eram difíceis.

A segunda razão é que a estabilização da moeda, tal como estava sendo feita, tal como seria continuída, a julgar pelo que acontecia no mundo inteiro, quando a globalização foi estabelecida, ela iria trazer grandes problemas sociais porque estabilizar a moeda só é importante e necessário, mas é preciso que a estabilidade da moeda corresponda à estabilidade social para que o povo sustente a moeda e para que não a moeda seja um peso sobre o povo que divide o país, desemprega as pessoas, corte o crédito agrícola, daquilo do pouco que o povo já dispunha, dos poucos recursos que dispunha para sobreviver neste país e sobretudo numa terra como a nossa.

Tinha portanto consciência dessas dificuldades e comecei, com meus companheiros, a pôr ordem neste estado e o estado está em ordem. O estado agora se mantém e nós estamos fazendo programas importantes como o da eletrificação rural, que vai cobrir pelo menos 70% das propriedades de Pernambuco e vamos avançar pelos outros 30%.

Pernambuco vai ser um dos estados mais eletrificados do país e nossos adversários são contra isso. Eles não querem reconhecer que se está fazendo efetivamente um programa para o povo pernambucano, sem discriminar ninguém, pois aqui pode ser de que partido for, de que religião for, a eletrificação é para o cidadão pernambucano, pense ele o que pensar, faça o que quiser, não discutimos isso e como vocês sabem muito bem que nenhum de nós vem a praça pública trocar aquilo que é um direito do povo por votos que nós defendemos e pedimos em razão das posições políticas que sempre adotamos e que mantemos em 50 anos de vida pública.

Este caminho que defendemos é a nossa maneira, não só ter botado água, ter dado luz, nem por ter realizado as coisas que já deveriam ter sido realizadas há 50 anos e que eles não fizeram. Não é por isso, isso é necessário, fundamental, importante e o povo precisa disso para sobreviver, mas nós precisamos dos votos pela bandeira que representamos, a bandeira da defesa da democracia e do povo desta terra para que se acabe, de uma vez por todas, a política do mandonismo, que predominou nestas terras nordestinas... (fim da fita) - existiam eletrificadas em Pernambuco 29 mil propriedades, a menor tinha 200 hectares e 200 hectares para quem não tem terra, para quem tem um pedaço de terra, para quem arranja um pedaço de terra para plantar milho e feijão nestas caatingas, é muita terra.

Mostra que eles sempre procuraram os grandes e os poderosos para botar energia nas suas casas, nas suas fazendas, mas se esqueceram da periferia das cidades e se esqueceram dos pobres que vivem espalhados pela caatinga, na zona da mata e no agreste pernambucano.

Por isso dizem que o programa não presta, mas não sigo a opinião deles, eu sigo a opinião do povo e o povo me diz que é um programa que deve ser feito, que vamos continuar a trabalhar nesta direção.

Venho a esta área importante do nosso estado, apregoada por todos os lados e é uma área importante porque passa aqui o maior rio desta região. Aqui tem água, aqui tem energia, aqui se pode plantar irrigando. Eles fazem muitas vezes coisas importantes, fizeram as hidrelétricas, que estão ali, que são necessárias, mas ao lado das hidrelétricas, que são obras estruturadoras e importantes, ficou o povo abandonado aqui em Itaparica, porque só dar dinheiro não resolve a vida do povo, só dar dinheiro leva à ociosidade, leva a se desfazer da cultura sertaneja, para que o povo plante maconha, beba cachaça, fique jogando, como se fosse este o instinto e a destinação da população.

A culpa não é do povo a culpa e de quem só pensa nas grandes estruturas de cimento, mas não pensa na obra maior que á e de formar o povo, que é a de estudar e trabalhar, de organizar e criar as condições para que a prosperidade venha da sua cabeça e dos seus braços, coisas que não fizeram e levaram esta região à situação que vocês conhecem e da qual precisa sair através do esforço conjugado de nós todos.

Não cuidaram dos pequenos projetos, cuidaram de preparar terras para grande fazendas, que fecharam, que não deram resultado, que são abandonadas, mas que ocupam as terras do São Francisco, impedindo muitas coisas que poderiam ser feitas, se a orientação fosse no sentido da democratização da terra, da democratização da produção, para que a população possa efetivamente se congregar e organizadamente transformar este nordeste tão sofrido.

Esta é a diferença entre esta gente e nós e nossa bandeira é uma bandeira que tremula há 50 anos ou mais, bandeira que foi levada por muita gente deste estado e que nós representamos hoje. Vamos, portanto, seguir nosso caminho, o caminho de estruturar não somente as hidrelétricas, mas estruturar o povo para produzir melhor, estruturar o povo para que possamos compor e soerguer esta cultura que está em cada um de nós, dentro de nós, na nossa cabeça e no nosso coração.

Esta bandeira eles combatem de todas maneiras e de todas as formas e agora com essa odiosa discriminação que recai contra Pernambuco. Que querem eles? Querem que mudemos e abandonemos esse caminho, não é uma pessoa que é combatida, é uma causa.

A causa que defendemos, todos nós, juntos, eles querem que nos dobremos, mas nós não vamos nos dobrar qualquer que sejam as dificuldades, qualquer que seja a discriminação que seja feita contra nós. Porque seria vergonhoso para alguém se dobrar em um estado que jamais baixou a cabeça na sua história. Se o povo quisesse se dobrar eu faria qualquer coisa por ele, menos me dobrar, porque seria contra as tradições de Pernambuco e acho que todo mundo nesta praça pensa deste jeito, acho que todo mundo vai apoiar as atitudes que defendem a dignidade das nossa gente.

Precisamos, portanto ter consciência de que esta luta que vem de longe vai ainda mais adiante e que ela tem que ser levada pela nossa unidade, pela nossa determinação. E essa eleição é um episódio importante nesta luta, e dela temos que sair vitoriosos e para sair vitoriosos, precisamos do povo, não só dos votos, mas do trabalho, porque não temos tantos meios para lutar por este caminho que é um caminho de dificuldades.

Não temos televisão, não temos rádio, não temos muitas coisas, mas eu costumo dizer que tendo boca do povo não há televisão ou rádio que nos vença, o povo vai nos defender, nas ruas, nos sítios e em toda parte, dia 04 de outubro vamos eleger Lula, Humberto, Fernando e os candidatos proporcionais da Frente Popular.

Muito obrigado a vocês.

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