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Arraes: discurso 13 – Várzea- 14/07/1998

13 - "Moeda forte não se aguenta sozinha, como se fosse uma deusa"
(Comício na Várzea- 14/07/1998)

Meus amigos,

Estamos pedindo novamente votos ao povo de Pernambuco, meus companheiros entenderam que deveríamos enfrentar esta nova campanha, uma campanha decisiva, pela fase difícil que atravessa nosso país. Hoje há mudanças no mundo e mudanças no Brasil e as mudanças no mundo repercutem violentamente sobre o nosso país na medida em que não se adotou nenhuma defesa contra a globalização instituída pelo governo federal. Nosso país foi invadido por produtos de todo lado, nossa indústria e a produção brasileira caíram, veio o desemprego e ele se acentua sobretudo em áreas como a nossa.

Temos que ter, portanto, consciência que de que essa eleição vai marcar um ponto da contestação do sistema econômico instituído pelo Governo Federal. Hoje, a juventude começou a não ter perspectiva, a ver seus pais desempregados e a olhar que ela também não vai ter onde trabalhar. A juventude começa, em muitos lugares, a se desesperar e é dessa situação de desequilíbrio, de instabilidade social, que nasce a violência. A violência não se acabará se não estabilizarmos socialmente o país.

1994, quando fizemos campanha para pedir votos destinados a governar pela terceira vez Pernambuco e Fernando Henrique Cardoso disputava a presidência da República, nós tivemos a oportunidade de dizer e repetir, por toda a parte, que a estabilidade da moeda era uma coisa necessária, que deveria ser apoiada, porque ninguém quer ter uma moeda fraca, nenhum país pode ir para a frente com moeda fraca, que não é respeitada em parte alguma.

Mas a moeda forte não se aguenta sozinha, como se fosse uma deusa que pairasse acima de todas as circunstâncias. A moeda forte se acaba com a instabilidade social e esta instabilidade social veio mais cedo do que se pensava, veio mais cedo do que eles diziam e atravessou hoje a consciência de todo o mundo. Todo mundo hoje está ciente e consciente de que era verdade aquilo que dizíamos, que não contestamos o Plano Real nenhum, contestávamos as suas consequências e a necessidade de haver medidas que compensassem o desequilíbrio e a instabilidade da moeda que provoca sobretudo em regiões mais pobres como a nossa.

E agora, mesmo que Fernando Henrique Cardoso, o que não é o caso, quisesse voltar atrás, para dar estabilidade, ele não tem condições, presos às piores forças que existem neste país, submetido, dependente do voto da extrema direita, dependente do voto daqueles que defenderam a ditadura, dependente do voto dos que nunca olharam o povo.

Deste que vos fala podem dizer tudo, mas ninguém pode dizer que mudei de caminho em 50 anos de vida pública. Sempre tive a consciência dos direitos do povo, de que é preciso ver os interesses da maioria, sobretudo da maioria mais pobre, pois é aí, firmado nela, firmado neste interesse legítimo, que une o nosso povo, é que nós podemos reverter a situação social deste país. Por isso que seguimos o mesmo caminho, sempre fomos atacados pelas mesmas forças nestes 50 anos de vida pública.

Do passado, vocês conhecem a história, tiraram-me do Palácio das Princesas com um ano de mandato, fui pra cadeia porque não quis mudar de opinião e aderir ao golpe militar, porque me recusei a renunciar ao mandato que me tinham dado, passei 14 anos fora do meu país, não estou me queixando por isso, acho que todo homem público, todo político, pode passar por isso e por muito mais, pois muita gente morreu na luta pela democracia e ainda estou vivo, ainda estou falando para vocês. Estou em situação melhor do que aqueles que foram torturados, do que aqueles que perderam a vida na luta pela liberdade e na defesa dos direitos do nosso povo.

Não estou me queixando, acho que sou um homem de sorte por ter escapado, por ter aprendido muita coisa lá fora, por poder voltar com mais conhecimento das coisas deste mundo e dos países por onde pude andar.

Depois, governador pela segunda vez e pela terceira vez, são estas mesmas forças que me combatem, que me caluniam, sem que nós tenhamos acesso às televisões, rádios e jornais, pois não possuímos nada disso, possuímos uma arma que é mais poderosa que é deles, possuímos um testemunho daqueles que me conhecem há 50 anos e é pela boca do povo que nós vamos sustentar esta resistência e manter esta situação como estava.

Por isso é importante que vocês todos meditem e tomem conscientemente a decisão, não só de votar mas de assumir uma postura de resistência contra aquilo que acontece no nosso país. Que essa resistência importa no trabalho sistemático, para que nessas eleições Pernambuco dê uma demonstração de força e de consciência política, para que Pernambuco demonstre que está fiel à sua história, fiel às lutas que se travaram historicamente em defesa da democracia e da liberdade.

Temos que resistir para não baixar a cabeça, pois a resistência se faz quando se quer tocar na nossa dignidade, nos direitos que nós temos. E se baixamos a cabeça e cedemos, nós desapareceremos debaixo dos pés daqueles que nos comandam, daqueles que nos queriam nos aviltar. Saberemos resistir, como sempre fizemos. Nós juntos, o povo da Várzea e de Pernambuco, rumo à vitória de 4 de outubro.

Muito obrigado.

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