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Arraes: discurso 10 – Auditório da Fesp, 09/07/1998

10 - "Essa é uma marcha para reverter a situação de entrega do País ao estrangeiro" (Encontro com lideranças populares, Auditório da Fesp, 09/07/1998)

Meus amigos,

Estamos aqui mais uma vez para percorrer esta fase que estamos iniciando. Fui candidato a governador pela primeira vez convocado pelas forças populares de Pernambuco. Nunca tinha passado pela minha cabeça governar esse Estado. É fácil de compreender que quem nasce no Ceará, vem para cá com 18 anos para estudar e trabalhar, sem conhecer ninguém, tivesse essas coisas na cabeça. Vim para trabalhar e estudar.

Comecei minha vida como funcionário e ainda me sinto funcionário como governador. Porque as importâncias eu deixo de lado. Nunca me encarnei com cargo algum. Se me elejo deputado, o deputado fica ali e eu cá. Porque senão, começo a me envaidecer e perco a cabeça, como muita gente perde. A segunda vez, voltava do exílio. Depois de pegar um ano de cadeia e 14 de exílio, voltei para Pernambuco, eu havia sido deposto pelas armas.

Nessa oportunidade, achei que devia me candidatar a governador, para repor as forças que foram derrubadas pelas armas. E na terceira vez me chamaram porque disseram que a situação era de dificuldade (como realmente era); eu disse: esse sacrifício eu aceito. Porque, se o povo está em dificuldade, eu não posso me recusar a trabalhar por ele, sejam quais forem os sacrifícios. Não acho sacrifício trabalhar para o povo, acho um dever de cada um de nós.

Desde que me formei, trabalhando, estudando por minha conta, entendi que devia ao povo uma grande dívida: a dívida de ter me dado escola gratuita para estudar na faculdade quando muita gente, inclusive aqueles que fizeram comigo a escola primária, não tinham o direito a tanto. É uma obrigação de quem nesse país aprendeu alguma coisa, é uma obrigação de trabalhar por aqueles que nunca tiveram condições sequer de serem alfabetizados; os marginalizados, os sem-representação, os sem-voz.

Assumi, então, as dificuldades. Consegui reequilibrar o Estado e passei a ver as formas de investir para uma nova etapa que começa agora. Essa etapa que devia ter começado um ano atrás, com recursos que seriam antecipados pela venda da Celpe. Ela está andando a passos muito curtos, porque os nossos adversários interferiram junto à presidência da República, junto ao BNDES, para que os recursos não fossem liberados para Pernambuco. Eles têm uma linha de ação, na tentativa de conquistar o governo do Estado. Uma, a de difamar; outra, a de brecar recursos, na tentativa de desequilibrar o governo, de trazer insatisfação ao povo pela falta de ação, pelo fracasso administrativo. E se pune, então, a Pernambuco, por esse falso caminho.

Agora, sou novamente convocado. Não só para responder a essa postura dos nossos adversários, postura anti-pernambucana, contra o povo, e também porque as condições do nosso país se degradam, a situação social se agrava. Há em Pernambuco uma crise nunca vista, uma seca, a crise na Zona da Mata e dificuldades que vocês conhecem tão bem quanto eu na Região Metropolitana. Convocado, venho ao encontro do povo para, novamente, representar a Frente Popular de Pernambuco.

Mas venho para estabelecer em Pernambuco...não só para realizar aquilo que o povo precisa de mais imediato... mas para estabelecer em Pernambuco um ponto de resistência política; para que Pernambuco possa resistir ao modelo econômico, a essa globalização que está marginalizando cada dia maiores quantidades da nossa gente por toda parte, não apenas no Nordeste. E essa resistência só se faz começando com o povo do Recife, começando com a periferia do Recife que sempre me elegeu prefeito, governador, deputado, durante os 50 anos de minha vida pública, que tenho a honra de ter neste momento.

Essa resistência de nossa gente, a resistência do nosso Estado é uma bandeira permanente da sua história. Pernambuco sempre levantou a voz contra as discriminações e é por isso que Pernambuco é discriminado, como foi agora recentemente na recusa de recursos, tal como no passado cortaram o território de Pernambuco, deceparam o nosso Estado, tirando Alagoas, a Paraíba, a Comarca do São Francisco, para nos castigar pela ousadia que sempre teve e tem a nossa gente de não se dobrar aos poderosos.

Essa postura de Pernambuco é que eu tenho a obrigação de representar nessa hora, para que dessa resistência possamos não só construir as coisas necessárias à vida da população, mas também fazer com que os marginalizados de todo o país possam se unir numa grande marcha para reverter a situação de entrega do país ao estrangeiro; para reverter a situação a que o atual governo está levando a nossa pátria.

Sei que posso contar com aqueles que sempre lutaram desinteressadamente pelo povo, aqueles que sabem politizar a nossa gente, aqueles que sabem atendê-la com paciência; todos vocês, acostumados a dificuldades grandes e pequenas, e o movimento popular que trabalha uma massa carente der tudo, trabalha em 500 favelas nessa região metropolitana, onde pouco se faz e pouco se avança para resolver os problemas efetivos da nossa gente. Mas, com todas as dificuldades que sempre tivemos, nunca baixamos a cabeça. Desta vez, vamos levantá-la mais ainda, para que ela seja vista como exemplo da luta desse país, da grande luta do povo brasileiro.

Até a vitória em 04 de outubro.

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