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Arraes: discurso 08 – Olinda, 21/07/1998

8 - "Escancarar as portas do País desta forma significa começar a aniquilar a nação brasileira" (Comício nas comunidades de Boa Fé I e II, Olinda, 21/07/1998)

Meus amigos,

Estou procurando nessa massa enorme que aqui se concentra alguém que tivesse votado em mim por três vezes e não encontrei, porque é uma massa muito jovem, uma concentração de gente que pode ter votado duas mas nunca três vezes comigo para governador do Estado.

Eu fui votado, pela primeira vez, em 62, quando enfrentei o usineiro João Cleofas de Oliveira, homem poderoso nesse Estado, representante da elite pernambucana, pessoa respeitada e correta, pessoa com quem mantive relações até depois que voltei do exílio. Éramos diferentes, representávamos coisas diferentes, mas nos respeitávamos porque ele assumia a sua posição de usineiro e de homem de elite.

Este que vos fala foi o primeiro governador eleito neste Estado que não teve apoio dos usineiros nem dos poderosos do Estado. Fui eleito naquele tempo, sobretudo, com a força da Região Metropolitana do Recife: de Olinda, Paulista, Camaragibe, Jaboatão, Moreno. Área onde eu tinha militado politicamente como deputado estadual e depois como prefeito do Recife. E sabem todos do que aconteceu: fiquei um ano e meio no governo, fui cercado e deposto e jogado para fora durante 15 anos. E o destino quis que aqui estivesse agora, pedindo a vocês pela quarta vez o voto dos pernambucanos, para dirigir os destinos deste Estado.

Nunca pensei em ser governador, como pode pensar qualquer jovem pernambucano. Eu nasci no Ceará, cheguei aqui com 18 anos de idade e sou pernambucano pela vontade do povo desta terra que sempre me honrou com seu apoio, sempre me honrou com a amizade e a identidade que sempre tive com as camadas mais pobres da população pernambucana. E esta quarta vez eu venho convocado pela Frente Popular de Pernambuco, decorrente (?) da situação de dificuldade que existe no nosso país e no nosso estado. Se tudo estivesse às mil maravilhas, eu podia ir sossegado pra casa, sem preocupação, para viver os anos que me restam de vida.

Mas venho para me incorporar novamente à luta do povo de Pernambuco, à luta de um povo que historicamente sempre esteve à frente das lutas da população brasileira; de um povo que aqui levantou no nosso país pela primeira vez a idéia da República, da liberdade e da democracia. E nós estamos regredindo, por força da concentração cada vez maior de recursos e de poder que se dá no centro do País, com a política de Fernando Henrique Cardoso. Que quer direcionar no sentido de manter o poder central forte e nada deixar para os Estados nem para os municípios. Um poder central forte que serve, sobretudo, à globalização, que escancara as portas do nosso País, para que outros interesses os mais diversos, vindos de todas as partes do mundo.

Escancarar as portas do País desta forma significa começar a aniquilar a nação brasileira. E a nação se constrói através dos tempos e através da convivência que se faz em muitos lugares e, sobretudo, da humildade que traz a convivência; da compreensão que uns têm para com os outros, nos bairros, nas cidades, nos municípios, nos Estados e no país. Pois é essa identidade cultural e a participação dos sentimentos, das dificuldades que nos identifica uns com os outros. E a nação nasce de baixo para cima, nasce desses sentimentos e dessa unidade das comunidades, dos municípios...

Nasce, de fato, de enfrentarmos as dificuldades comuns de uma população sofrida como a nossa, uma população que se afirma no curso e no tempo, que tem a sua vontade, que tem o seu pensamento, que tem o seu desejo de olhar com dignidade e com altivez para tudo o mais, sem deixar de se relacionar com quem venha, sem deixar de Ter compreensão para com o mundo e ser aberta ao mesmo tempo que fechada. Aberta como sempre foi a nação brasileira, para todas as raças, para todas as tendências, para gente que venha de onde vier.

Mas, agora, escancaradas as portas, nós podemos deixar de constituir uma nação para ser um território onde todo mundo entra e onde todo mundo manda. Onde todo mundo entra para constituir aqui um poder novo centralizado, que serve a forças externas e não serve às forças que se constituem de baixo para cima no seio da nossa população.

Sei que esta posição política não é fácil de ser sustentada. E talvez em poucos lugares do Brasil eu tivesse condições de falar da forma que estou falando. Mas, quando eu falo em Pernambuco, eu sei que os pernambucanos têm dentro de si essa consciência. Essa consciência de que no passado viu lutar pela nossa independência, viu lutar pela constituição da república aqui nessa cidade de Olinda; que sabe das lutas pela liberdade travadas pelo nosso povo no curso de séculos, com dificuldade mas com determinação e com consciência de que é assim que se constrói o futuro.

E é para construir o futuro que aqui me encontro, mesmo que não tenha tantos anos e vida pela frente quanto os jovens que aqui estão nessa praça, mas com a determinação de que nunca deixei de ser jovem no sentido, no pensamento e na determinação de lutar por tudo aquilo que desde jovem acreditei e que continuo a acreditar.

Sou, como todos vocês sabem, um homem marcado porque me opus às elites e aos poderosos. Marcado porque nunca me distanciei do caminho que escolhi logo cedo, o caminho do povo, o caminho dos mais necessitados. Marcado porque nunca me dobrei nem com os recursos das armas a que eles recorreram em 64, aos desejos, aos desígnios dos que queriam e fizeram dominar o País pela força. Essa marca ainda hoje permanece e o desejo de destruir não a mim, pois todos nós vamos ser destruídos pelo tempo, mas de destruir essa causa, a causa popular de Pernambuco. O desejo de destruir e obstruir o caminho do povo permanece. E eles agora insistem na difamação, na detratação, insistem em inviabilizar o governo de Pernambuco, através do corte dos recursos a que o nosso Estado tem direito.

Assim como nós não nos dobramos às forças das armas, não vamos nos dobrar à força do dinheiro nem à força nenhuma que corta a dignidade do povo pernambucano. E eu, para manter essa dignidade, custe o que custar, sou candidato pela Quarta vez ao governo desse Estado. E sei que hão de votar na Frente Popular, com Lula, Humberto Costa, Fernando Bezerra Coelho, todos aqueles que sempre conheci, jovens ou velhos dessa região metropolitana do Recife, da sua periferia, da gente sofrida, dos desempregados, das donas de casa, da juventude.

É com vocês todos que compõem essa grande massa popular da região metropolitana que vamos marchar para vitória nessas eleições.

Muito boa noite e até outra oportunidade.

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