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Arraes: discurso 07 – Santa Cruz da Baixa Verde, 01/08/1998

7 - "Eu não gostaria de ser governador de um Estado que se curvasse"
(Comício em Santa Cruz da Baixa Verde, 01/08/1998)

Meus amigos,

Estamos empenhados nesta campanha para que Pernambuco possa influir nos destinos do nosso País, vez que a situação nacional junto com a política econômica concentradora de riquezas no sul do País está levando as regiões mais pobres da periferia da nação brasileira a cada vez Ter menos condições de sobrevivência e viver melhor. Porque o povo do interior, o povo espalhado por esse Nordeste tão sofrido, sobretudo numa época de seca, sabe das dificuldades para sobreviver, sem condições mínimas que já se teve até em épocas passadas para produzir o mínimo para sustentar a famílias.

E, se as condições do País continuam a mesma, nós vamos ser marginalizados como estamos sendo. Porque a política do governo federal é a de concentrar no centro sul e nos grandes grupos econômicos, deixando ao abandono as iniciativas locais, nacionais, as formas de trabalho que a população no curso da história inventou por essas terras para poder sobreviver.

Temos, portanto, que estar atentos a isto e precisamos mudar a política a nível nacional, para resolver os problemas da nossa terra. Mas, se não conseguirmos, temos que estar unidos em Pernambuco, unidos para conseguir as formas de trabalho e para se permitir a sobrevivência da nossa gente. E as formas de trabalho se fazem melhorando aquilo que o povo recebe, trazendo novas formas de produzir, tratando de estruturas a cabeça da população para um patamar novo e mais amplo de produção, através de conhecimentos que possam trazer... possam ser trazidos para a maioria da nossa gente.

Falo, portando, em duas hipóteses, porque o povo de Pernambuco é o ponto de resistência mais forte desse País. Porque, historicamente, Pernambuco resistiu à falta de democracia que fez uma política de concentração de riquezas. Pernambuco sempre lutou pela liberdade, pela democracia. E nós lutamos pela liberdade, pela democracia concreta, isso não são apenas palavras, porque elas se traduzem naquilo que vem para o povo.

Democratizar a energia elétrica foi coisa que nossos adversários jamais fizeram, porque eles concentraram a energia nas mãos de alguns poucos. Botaram energia nas propriedades dos ricos ou dos que pretendem ser ricos, porque nem ricos são se comparados com os seus patrões e com os grandes grupos do sul do País. Gente que tem algumas léguas de terra que não valem tanto assim, a não ser a pretensão que têm de serem donos e mandarem no povo. Por essas terras passaram muitos donos do povo, passou muita gente mandando no povo, passou muita gente concentrando o poder local.

Precisamos lutar para que o poder venha efetivamente do povo, para que o poder venha de baixo, para que o poder esteja nas mãos de homens e mulheres livres e independentes desse Estado. Quando me agradecem pela luz, pela água, eu sempre digo: ninguém tem nada que me agradecer nem agradecer ao governo, nem votar em ninguém por causa de luz, nem de água nem do que seja. Tem que votar no futuro. E no futuro a gente vota pelo alargamento da democracia, pelo direito de todos, sem discriminação de qualquer que seja o homem ou a mulher desse Estado.

Todos nós somos iguais e temos direitos iguais. Não tem sentido, como eles sempre fizeram, discriminar quem vota pra'qui ou quem vota pra lá. Vocês votam em quem a consciência mandar que votem. Vocês votam naquilo que vai ser feito, vocês votam nos objetivos de Santa Cruz e nos objetivos de Pernambuco.

Quero apenas dizer que nós estamos empenhados não só numa eleição para o governo do Estado ou numa eleição para a gente poder trazer mais ou menos energia para o campo, ou que possa trazer mais água ou isso ou aquilo. Nós estamos votando numa eleição que influi decisivamente nos destinos do nosso Estado. E Pernambuco tem que reafirmar, com esse voto, que Pernambuco quer se curvar ao mando do governo federal que nos discrimina ou se Pernambuco quer continuar de cabeça erguida defendendo a sua dignidade com o voto livre do seu povo.

Eu não gostaria de ser governador de um Estado que se curvasse. E eu não me curvei no passado quando fui cercado pelos militares. Não porque seja um homem corajoso, mas porque eu tinha na mão um mandato de governador que o povo me tinha conferido e não podia baixar, enxovalhar o mandato que o povo me deu. Daqui para a frente nós temos que reafirmar a nossa posição, a posição do nosso povo que soube defender a sua dignidade que não se compra por dinheiro nem se troca por nada, ela está acima dessas conveniências. E, se nós tivermos dificuldades, haveremos de atravessá-la com a nossa unidade, com a nossa capacidade de sobreviver como sempre sobrevivemos no passado.

E, vejam bem: se se curvar e bajular os poderosos fosse coisa que desse resultado, nossos adversários estariam cheios de dinheiro pra trazer para Pernambuco. Mas, durante 50 anos de bajulação, eles não trouxeram coisa nenhuma. E não é pela bajulação que se tem, é pela afirmação dos nossos direitos, é pela afirmação da capacidade de Pernambuco que construiu a nossa cultura, construiu o que nós temos e que vai ser reafirmado agora nas eleições para o futuro e pela juventude que aí está.

Preciso do voto do povo de Santa Cruz. Se tive eleição difícil em 62, é agora, nesta eleição que eles jogam todo o poder do dinheiro, da força dos jornais, da televisão e do rádio para nos destruir. E só o povo, com o seu voto, pode reafirmar o caminho que sempre adotamos e que continuamos a seguir, o caminho da autonomia de Pernambuco, o caminho da solução dos problemas do nosso Estado e da nossa gente, sobretudo a gente mais sofrida, a gente mais pobre e mais necessitada.

Temos que eleger Luís Inácio Lula da Silva presidente do Brasil. Humberto Costa e Fernando Bezerra, nossos deputados federais e estaduais. Temos que dar, nesta eleição, uma resposta aqueles que traíram as forças populares, aqueles que não adotaram os caminhos de Pernambuco para adotar o da submissão. Vamos reafirmar o nosso Estado e a nossa gente. Vamos trabalhar para solucionar os nossos problemas. E a solução dos nossos problemas não está só no dinheiro, está sobretudo em nós mesmos, na nossa capacidade de realizar, na nossa capacidade de aprender e fazer as coisas e de construir o futuro.

Muito obrigado, muito boa noite e até outro dia.

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