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Arraes: discurso 06 – Salgueiro, 04/09/1998

6 - "Queremos que o povo tenha liberdade, que vote até contra nós"
(Comício no município de Salgueiro, 04/09/1998)

Meus amigos de Salgueiro,

Estamos empenhados numa das mais duras campanhas que tivemos que enfrentar e devo dizer que nunca foram moles as campanhas que enfrentei em Pernambuco desde a minha candidatura a prefeito do Recife e a candidatura ao governo do Estado em 1962. Naquele tempo, os ataques que recebi em todos os lugares e as mentiras que eram espalhadas por esse Estado pareciam que iam calar a nossa palavra, tal a nuvem de impropérios, de injúrias e de mentiras que estavam a nossa frente. Naquele tempo, enfrentei João Cleofas de Oliveira, usineiro, representante das elites do estado. E fui o primeiro governador de Pernambuco a se eleger contra os usineiros, contra a elite do Estado, que dominou a região da Mata, que dominou a região metropolitana do Recife e que, por via dessa dominação, amordaçava o Sertão e o Agreste de Pernambuco.

Nunca tive facilidade, porque não é fácil defender o povo humilde, não é fácil defender quem não tem nada, quem não tem nem voz para lhe defender, quem não sabe nem a quem se dirigir. E, por isso mesmo, naquele tempo, eu era comunista, incendiário, baderneiro, incapaz de governar Pernambuco. Mas tenho a satisfação de, num ano no governo, Ter modificado muitas coisas no Estado. Não que tenha feito obras formidáveis. Mas de Ter libertado os trabalhadores da palha da cana-de-açúcar que ganhavam um terço do salário-mínimo; por ter dado o pontapé para a organização do povo desse Estado.

Saí e, quando voltei, eu disse ontem ou antes de ontem numa concentração no Recife, lá no nosso comitê central, que é difícil aguentar cadeia, é difícil aguentar o exílio; é preciso paciência para ficar 14 anos fora, com dez filhos para criar, com uma mão na frente e outra atrás. Mas não foi essa a maior dificuldade que passei na minha vida. Maior dificuldade foi quando voltei, para me jogar de novo na luta política, quando não tinha nenhuma estrutura; quando jovem de 20 anos tinha cinco anos quando eu havia saído do País; quando alguém muito jovem não sabia sequer quer eu era; e elegi-me o deputado federal mais votado de Pernambuco, com uma kombi, um auto-falante e um bando de menino para me ajudar na campanha porque nenhuma deputado estadual queria me apoiar em 1982: com razão, porque não sabiam o que ia dar. A minha reentrada na vida de Pernambuco, certamente pomposa com o comício de Santo Amaro, mas sem nenhuma sustentação concreta na estrutura política do Estado, essa foi uma situação difícil.

E esta agora é uma situação difícil, por causa exatamente oposta àquela outra. Porque nós conseguimos sair da capital e chegar à fronteira do Piauí, com a palavra de liberdade, de democracia para o nosso povo, contra a discriminação. Mostrar que o povo tem direito à luz, à água, à educação, para mostrar que nós não estamos fazendo nada em troca de voto, que nós queremos é que o povo de Pernambuco tenha liberdade de escolha, que ele aprenda, que vote até contra nós, porque ele vai aprender que errou e, na vez que vem, votará em nossos companheiros que estiverem nesse palanque. Queremos consolidar uma força política sólida no nosso Estado. Não é só para ganhar a eleição, é para sentar uma forte semente da Frente Popular que não acabe quando nós sairmos. E não vamos sair agora, se Deus quiser e nos der vida.

Soubemos que o nosso adversário andou por aí falando da minha idade. Pode falar o que quiser, porque quem manda na minha vida não é ele; é Deus que há de me levar quando Ele quiser, até agora aqui nesse palanque. O que ele não pode é evitar que, com todas as forças que eu tenha, agora e daqui pra frente, lute para enterrar a política discriminatória, pequena e mesquinha que eles sempre fizeram nesse Estado.

Agora, em outra hora que lançamos a campanha de eletrificação rural de Pernambuco, eles ficaram alarmados, fizeram as contas... E nunca fizeram antes, pra botar energia; fizeram depois que nós começamos... E é possível 100 mil eletrificações?... Quantos votos têm aí?... Eu nunca pensei em voto, nem quero voto por eletrificação rural. Quero voto pela consciência da população... Mas, eles se alarmaram e intensificaram, junto ao governo federal, as pressões contra Pernambuco e contra o seu governo, para que não venha dinheiro para que o povo fique pensando que só vai vir dinheiro com eles, que são amigos e bajuladores do presidente da República.

E eu digo o povo de Salgueiro: se o povo precisasse não de um governador mas de um bajulador, eu não seria candidato, estaria fora dessa parada. O governador é aquele que procura representar o espírito do seu povo; aquele que procede não só de acordo com o que pensa e com o que sente, mas com a história do seu povo, com a sua cultura, com o que pensa a nossa gente. E eu não acredito que nesta praça apareça uma pessoa que diga que eu devia me curvar a imposições e a pressões como governador desse Estado.

Já procuraram fazer isso quando me prenderam em 1964 e eu disse "não", sabendo que ia pra cadeia sem saber qual era o meu destino. E não vou me baixar, porque quem tem o mandato do povo pernambucano não baixa a cabeça nem abre mão da sua dignidade, que é a dignidade da nossa gente e do nosso povo.

Vamos enfrentar dificuldades. Não porque o presidente da República nos discrimine -ele pode criar problemas, como tem criado, ele pode não dar isso nem aquilo, mas nós temos direito, nós temos direito porque a Constituição do nosso País dá direito aos Estados e aos municípios que estão sendo massacrados pela política de concentração de recursos feita pelo governo federal e nós vamos protestar contra isso e, de cabeça erguida, lutar, com apoio da nossa gente, para desconcentrar riquezas, recursos que possam vir solucionar os nossos problemas.

O ano passado, o governo federal mandou que botasse uma verba de R$ 15 milhões para Suape e de cento e tantos milhões pro porto do Ceará. Era essa a proposta do governo. Mas nós fomos, com os deputados pernambucanos, ao Congresso Nacional. Mostramos o tamanho da injustiça e da discriminação que nos estava sendo feita e tivemos o apoio não só de pernambucanos mas dos brasileiros que têm sentido de justiça e que, na comissão de orçamento, somaram os cento e tantos milhões com os 15, dividiram por dois e fizeram a justiça salomônica de dar metade para cada um.

E nós temos que lutar para mostrar que o nosso Estado, agora e para a frente (e como sempre foi), não tem necessidade de bajulação, não tem necessidade de pedinchar. Porque pedinchar, pedincharam eles durante muitos e muitos anos e nada fizeram por Pernambuco. Nada trouxeram.

E esse Porto de Suape, começado há 20 anos, ficou parado nos governos deles e só teve continuidade com os nossos protestos, com a união dos nossos parlamentares. E, com a união dos nossos parlamentares com os de outros Estados que preferem ter um tratamento justo, digno de respeito aos direitos de todos os brasileiros.

Essa campanha visa marcar essa posição que sempre foi a posição histórica de Pernambuco: a de não se dobrar. E Pernambuco perdeu território no século passado. Pernambuco, com Agamenon Magalhães, recusou-se a se curvar aos militares e generais que eram postos na interventoria do Estado, quando ele disse que "Pernambuco não se governa de chicote e de esporas, Pernambuco se governa com a compreensão, com a consciência e com a unidade do seu povo". E é Pernambuco, neste País, que historicamente levantou as teses nacionais em defesa não só dos seus interesses de Estado, mas as causas nacionais partiram de Pernambuco e de poucos Estados.

Vamos nos unir diante das dificuldades que aí estão. Vamos avançar no sentido de consolidar uma força política nesse Estado que represente efetivamente os anseios da grande maioria do nosso povo. Vamos nos firmar no caminho que sempre seguimos, de defesa da grande maioria sofrida desse Nordeste. Vamos trilhar o caminho da democracia, daqueles que não discriminam, daqueles que são todos iguais. E, quaisquer que sejam as diferenças, nós passamos por cima, em nome dos objetivos comuns que temos. Assisti a discriminação que eles faziam não só a nível geral, de negar verbas para Pernambuco, mas assisti e vi, presenciei a discriminação que faziam no Agreste pernambucano: Em época de seca, quando na boléia de um caminhão, de um carro-pipa, o encarregado dizia para o motorista: "este aqui não tem direito a água; este aqui pode botar; aquele outro não tem direito a água..." Como se houvesse diferença entre as pessoas; para forçar o homem a se dobrar por uma lata d'água. Com os meus filhos com cede, em faria qualquer coisa; porque ninguém deixa de fazer quando tem cede. E faz qualquer coisa por uma lata d'água. Mas é uma ação mesquinha, uma ação revoltante essa de pressionar a nossa população pobre, constituída de gente digna, de gente bem criada, de gente com consciência, através dessas pressões pequenas que eles sempre fizeram no interior de Pernambuco.

E, para acabar com isso, para que o povo levante a cabeça, para que o povo diga o que quer, seja a favor ou contra, para que o povo tenha liberdade, que nós sempre lutamos e continuamos lutando.

Vocês hão de convir que, nesta altura da minha idade, não viria pedir o voto de vocês se não fosse para causa que estivesse acima dessas misérias, dessas misérias que eles colocam. Hoje, aqui disseram que vamos virar essa campanha a partir de agora. Devo dizer a vocês que, para mim, desde o começo ela já está virada. Porque nunca me preocupei se tenho vinte, 15, 18, 50 de rejeição. Eu sei que venho para a praça pública e o povo me recebe como vocês estão me recebendo agora. E isso me contenta. E isso me dar força para continuar na nossa luta.

É preciso que nós, nesta eleição, votemos num pernambucano trabalhador: Luís Inácio Lula da Silva, para afirmar uma posição de pernambucano, uma posição popular. Que elejamos uma bancada forte que possa defender o nosso estado e a nossa gente na Assembléia e no Congresso Nacional. E eu peço o voto de vocês para a Frente Popular, para que continuemos um trabalho pelo caminho que sempre trilhamos.

Muito obrigado.

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