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Arraes: discurso 04 – Glória de Goitá, 19/07/1998

4 - "Sou candidato a governador por uma razão política maior "
(Comício no município de Glória de Goitá, 19/07/1998)

Dona Fernanda Paes, prefeita de Glória, demais prefeitos aqui presentes, meus amigos

Quando, em 94, fui pedir votos para mandato que vou terminar no fim deste ano, dizia na praça pública, algumas coisas que podem ser repetidas. Que nós iríamos enfrentar muitas dificuldades, pois estava claro que a situação do Brasil iria para os rumos que estão tendo, para o desemprego, para dificuldades maiores para a população. E não era nenhuma adivinhação, era o fato de saber o que estava acontecendo n'outros países.

Na Argentina, país socialmente equilibrado no passado, cujos trabalhadores ficaram desempregados e jogados para as periferias das cidades daquele país vizinho. Eram muitos outros países onde as notícias eram as mesmas, em razão da mesmo política econômica adotada aqui no Brasil. Mas, para não encompridar os exemplos, vou citar o fato de 15 dias atrás: O primeiro ministro da Inglaterra declarou que precisava de até o ano 2.000 para dar teto, para dar casa aos ingleses que não têm onde morar. Num país rico, que sempre teve condições pelo menos de dar moradia e sustentação a sua população. Fruto dessa política, da mesma orientação política adotada pela primeira ministra daquele país há 15 anos atrás e durante 10 anos.

Então, aqui não podia ser diferente porque esse sistema econômico, essa política econômica adotada pelo atual governo leva à marginalização ainda maior dos que são marginalizados e cria levas de marginalizados; retira da juventude, com o desemprego, as perspectivas de futuro; leva o desespero a muitos que não sabem esperar e gera a violência que vocês estão vendo espalhada no mundo inteiro e nesse país de norte a sul.

Dizíamos isso e hoje entendemos que é necessário repetir, pois o que precisamos fazer é resistir contra esse modelo. E, para resistir, é preciso dar condições ao povo, para que pelo menos melhore o seu trabalho, sustente a sua família com mais alguns reais que possa ganhar.

Pois bem, quando fazemos eletrificação rural, quando levamos água pras cidades e para o povo que trabalha no interior, nossos adversários dizem que eu só faço coisas pequenas. E eu estou muito satisfeito se isso é coisa pequena. Com as coisas pequenas que tenho feito, quando ando no interior, como ontem andei no município de Lajedo e algumas propriedades onde há uma casa de farinha e nessa casa de farinha, que é modesta, um galpão desses do interior como existe aqui em Glória, foram criados 25 empregos para gente da região que fabrica farinha, empregos criados a baixo custo, porque chegou a energia e é possível montar a casa de farinha e botar para funcionar. Outros bombeiam água, há algumas mulheres que conseguem uma máquina de costura e completam o trabalho de seu marido na roça.

Essa resistência que começa por aí, e por coisas maiores que se possa fazer, mas que tem que vir através da organização do povo, só pode ser feita por aqueles que historicamente nesse Estado sempre estiveram ao lado da população para defender o seu direito. E todos sabem que, quando governador em 1963, eu já estava desse lado onde estou, pois foi no meu governo que os trabalhadores da cana se organizaram, foi no meu governo que se retirou a Polícia da porta dos trabalhadores para que eles fundassem sindicatos. E, por isso mesmo, fui, no golpe militar, preso porque não me submeti, não me dobrei aos militares que me cercavam, preso e exilado.

Eu não estou dizendo isso aqui pra me queixar, porque não costuma me queixar das coisas por que passo. Como homem público, tenho que esperar tudo, sem queixa, porque é minha obrigação ir pra cadeia se é pra manter a minha posição de defesa do povo e não capitular diante dele. É minha obrigação ir pro exílio se não posso ficar na minha terra. É minha obrigação manter a posição, manter firmemente a posição que pode mudar o nosso país e melhorar as condições de Pernambuco. Este caminho que adotamos e do qual nunca nos desviamos é o caminho oposto ao dos nossos adversários; eles nunca foram de fazer nada pelos pequenos dessa terra, nem pelas feiras de rua.

Quando voltei, em 1987, ao governo de Pernambuco, fui ver as eletrificações que haviam sido realizadas no longo período desde que eu tinha deixado o governo... pois naquela época, em 63, eu havia estabelecido entendimentos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento para obter financiamento para essa eletrificação que só está sendo feita agora... Existiam em Pernambuco 29 mil eletrificações rurais. Fui ver quem tinha recebido essas eletrificações rurais. Era gente que possuía no mínimo 200 hectares de terra. E 200 hectares de terra não é propriedade dos pequenos produtores dessa zona. 200 hectares de terra já é gente grande.

Porque eles nunca pensaram em eletrificar o campo e continuam a criticar, dizendo que esse poste, esse bico de luz não vale nada; quando, na verdade, a eletrificação rural, dentro de três quatro anos, vai trazer uma produção aquecida ao nosso Estado, na medida em que o povo vá comprando os equipamentos para produzir melhor, para facilitar o seu trabalho e dá maior eficiência às ocupações que tem. Eles entendem que tratar as questões da população diretamente é coisa de quem não quer estruturar o Estado de Pernambuco.

Nós podemos dizer que ninguém consertou e fez mais estrada, nesses últimos governos, do que nós neste agora quando refizemos 1.600 km de estradas em Pernambuco inteiro. Estamos fazendo o Porto de Suape. Mas não é porque ache que o Porto de Suape é a coisa mais importante. É fundamental. Mas o fundamental é estruturar o nosso povo e a sua capacidade de trabalhar. É de melhorar a cabeça de todo mundo, requalificando gente e refazendo aquilo que está ultrapassado.

Investir na população é a estruturação maior que se pode fazer num governo. Essas coisas, e mesmo as coisas avançadas, porque dizem: "o doutor Arraes é atrasado". Mas, quem trouxe as coisas mais avançadas pra Pernambuco foi o governo passado, quando trouxe técnicos em biotecnologia para começar a ensinar aqui a reprodução de plantas e animais por processos novos que permitam mudar a produtividade da nossa terra. Deixei instalado esse começo de laboratório de experimentação em biotecnologia. Nos primeiros meses depois da minha saída, acabaram e não trataram mais do assunto, tivemos que refazer e quem quiser vá olhar em Itapirema, no município de Goiana, a biofábrica para reproduzir cana-de-açúcar, sem o que nós ficamos atrasados dos outros países pelos processos atualmente em uso na Zona da Mata.

Várias barragens feitas no outro governo ficaram paralisadas, sem as adutoras para levar água. Eu posso dizer que aqui na região metropolitana estamos acabando agora as adutoras da barragem da Várzea do Una, terminada em 1989, e que nunca recebeu mais uma pá de terra nem um pedaço de cano para melhorar o abastecimento da cidade. Tanto quanto as barragens de Lajedo e de outras cidades. Porque eles não costumam acabar nada do que os outros começam. Como se fosse diferente encontrar uma coisa que serve a população, que serve ao povo...pode ter sido começada por quem quiser, é preciso terminar para que o povo usufrua daquela obra. O que fazem é tentar desequilibrar o Estado.

E eu falei das dificuldades, pois bem: Quando assumi, agora nesse governo, em 95, o meu antecessor tinha aumentado tanto o funcionalismo público do Estado que, de cada 100 reais que o governo do Estado recebia, 82 era para pagar a folha de salários. O resto, 12 por cento, para atender todas as necessidades de Pernambuco, de uma população sofrida que precisa de saúde, de educação, de estrada, que precisa de muita coisa e que o governo ficava impedido de fazer, pelo acréscimo de dificuldades que eles jogaram em cima de nós.

Durante dois anos ficamos fazendo conta e apertando o cinto para reequilibrar o governo e poder recomeçar a fazer algumas coisas pelo Estado. A venda das ações da Celpe deveria ter chegado dez meses atrás; eles empurraram pra frente, empurraram e o presidente da República, não tendo mais desculpa, declarou na rádio, declarou aos jornais que não ia dar aquilo que ele tinha concedido a 17 Estados brasileiros que fizeram a mesma coisa, numa discriminação contra Pernambuco inconcebível.

Essa estrada de Glória de Goitá-Chã de Alegria está licitada pra ser feita e as obras não começam porque eu preciso ter os recursos pra fazê-la. Não vou começar uma coisa, sobretudo em véspera de eleição, para paralisar depois. Vocês sabem que eu não sou nem de prometer nem de enganar o povo. Têm uns que dizem: "botem umas máquinas, faça de conta". Eu não faço de conta. Eu digo ao povo para que o povo julgue e saiba como são as coisas.

Pois bem, essa posição do governo federal se tinha o objetivo de fazer com que baixássemos a cabeça e fossemos pedir..., se tinha esse objetivo, não vai alcançá-lo porque eu aprendi com o povo pernambucano a não baixar a cabeça. É melhor dar algumas estradas esburacadas por mais algum tempo, do que ficar envergonhado com as estradas asfaltadas fruto de baixar a cabeça para conseguir alguns tostões. Por isso é que, além de fazer, sou candidato desta vez para tentar resolver os problemas do povo, mas também por uma razão política maior: é a de servir a Pernambuco, dentro da linha histórica do nosso povo, que foi aquela de se constituir um ponto de resistência contra os desmandos do governo federal e contra as políticas de marginalização que atingem não só o nosso Estado, mas atinge todos os brasileiros, sobretudo os mais pobres e mais necessitados.

Essa contribuição que nos foi solicitada pelos companheiros da Frente Popular, essa convocação que me fizeram é para esses objetivos: administrativos e políticos. Políticos no sentido da resistência, de dar a Pernambuco o exemplo de que não se rende e nem se apavora com cara feia. Vamos nós todos unidos, unidos para a eleição e unidos depois da eleição para uma luta que é dura e que pode ser demorada. Mas que é a luta que nós devemos travar em benefício das realizações a serem feitas no futuro. Pernambuco sempre olhou o futuro. Pernambuco sempre olhou o Brasil. Pernambuco vai dar esse exemplo, com a unidade do seu povo e com a vitória de Lula, de Fernando, de Humberto Costa, com a vitória da Frente Popular, em 04 de outubro. Conto com o povo de Glória, conto com a vitória em 04 de outubro.

Muito obrigado.

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