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Arraes: discurso 03 – Ouricuri, 31/07/1998

3 - "Como governador, dê no que der não baixarei a cabeça para ninguém"
(Comício no município de Ouricuri, 31/07/1998)

Meus amigos,

Hoje foi aqui lembrado daquilo que sempre me lembro: que foi Ouricuri que me deu a primeira votação para a eleição de deputado estadual nos começos da minha vida pública. E hoje aqui, ao recordar esse fato e ao relembrar-me aquilo que passei nesses 50 anos de vida pública, tenho a consciência tranqüila, porque procurei honrar aquele voto como todos os votos que me deu o povo de Pernambuco nessa grande jornada que empreendi, tendo saído de uma das cidades mais pobres dessa região do Araripe, a cidade do Araripe, no Ceará, fronteira com Pernambuco, onde me formei com meus pais, com minha família, mas também com o sertanejos de todo o tipo que lá moravam, pretos e brancos, pois na minha família, era proibido por meu pai, por minha mãe, discriminar fosse quem fosse. Sempre chamei de senhor, quando pequeno, os mais velhos e os pretos que trabalhavam com meu pai e pra minha avó.

E, quando saí com 16 anos, para tentar a vida lá fora e, depois em Pernambuco, eu guardei a cultura do Araripe. E foi a cultura do Araripe que me fez resistir, que me fez ficar de cabeça erguida, que me fez saber de que, mais de que qualquer outra coisa na vida, é a defesa da dignidade, é ter a cabeça erguida e não se curvar a ninguém.

Se lá aprendi, fiz doutorado disso em Pernambuco, pois Pernambuco jamais curvou a cabeça, Pernambuco esteve sempre nas lutas libertárias do nosso país. E, como governador, dê no que der, não baixarei a cabeça nem diminuirei a dignidade dos pernambucanos, negociando um favor. Pois se isso poderia dar, como muitos pensam, uma transitória vantagem de algumas verbas para fazer alguma coisa, isso constituiria uma mancha definitiva e indelével para o futuro. E nós não queremos nos apresentar diante do povo sem ser em condições de lhe prestar contas não só dos dinheiros públicos, mas da condução com dignidade da coisa pública no nosso Estado.

O senhor presidente da República, que por obrigação do meu cargo fui receber no aeroporto do Recife, veio a Pernambuco, como salientou Fernando Bezerra, para ver duas obras que ele descreveu. Duas obras que não são obras. Alguns elementos do PFL dizem que nós queremos ficar com as obras federais. Com essas aí nós não ficamos nem que dê de graça, porque isso é a prova da incapacidade, da incúria, da falta de respeito com o nosso Estado. Pois essa BR, esse pedaço de BR que não tem 20 km, rola há mais de 10 anos, sob os protestos de todo mundo e sob o protesto das populações que precisam desafogar o tráfego da zona sul do Estado, onde morrem pessoas e mais pessoas, porque as condições são as piores de todo o País. É difícil encontrar um trecho de estrada pior que aquele para se atravessar seja de semana seja nos fins de semana. É a estrada mais cara por Km2 que existe no Brasil e há 15 anos ela se arrasta, sem que haja uma providência. E essa adutora do Oeste que o povo dessa região reclama, isso não é nada, isso é uma obra que não vale nada porque comprar os canos e enterrar não pode levar 3, 4 anos, com as condições que nós temos de fazer rapidamente uma obra dessa com a mão de obra desocupada que tem essa região.

Não se justifica que um Estado como Pernambuco, que tem o vice-presidente da República, que tem o ministro da pasta encarregada de fazer a obra, que tem o líder do PFL na Câmara Federal, que tem uma porção de gente importante nesse governo, não consiga alguns km de cano e verbas para enterrar os canos. Eles querem fazer disso o quê? Acham que nós somos o quê, para empurrar uma obra como essa que é uma besteira, digo a vocês, porque nós estamos enterrando em canos menores, sem dinheiro, 700 km de canos no Estado de Pernambuco. Quem quiser que veja em Surubim. Quem quiser que veja em Caruaru. Quem quiser que veja em Lajedo, quem quiser que veja em Sertânia, quem quiser que veja nos lugares onde estamos botando água. E sem dinheiro.

E sem dinheiro porque eles nos negam aquilo a que Pernambuco tem direito. Eles nos negam as condições de fazer o mínimo pelo Estado. Porque eles temem o que se faz. Como nunca fizeram nada, eles temem que se faça alguma coisa. E querem levar o povo à descrença.

Ninguém eletrificou essas áreas de serra e essas beiradas de serras do Araripe, porque eles, com muitos e muitos anos, nada fizerem para iluminar e levar energia à população do campo e nem sequer às populações das periferias das cidades. Quando assumi em 1987 o governo, andei por muitas cidades e olhei as periferias: lá não chegava a energia que estava a 50 metros, porque pobre para eles não vale nada. Pobre para eles, eles tratam com desprezo, porque é gente muito importante ou se julgam muito importante para se preocupar com o que eles chamam de pequenas obras.

E eu pergunto: Botar luz, energia na casa da periferia de Ouricuri, se concluída todas as casas, isso é uma pequena obra, uma obra grande ou uma grande obra.

Eu entendo que tudo isso é feito para tentar estruturar a nossa população, para tentar dar as mínimas condições de vida ao nosso povo, para dar um pouquinho de confiança no povo que não tem nada e, se recebe uma besteira que é uma torneira dentro de casa que ele tem direito há muitos e muitos anos, pelo menos entenda que alguém se lembrou do mais humilde dos pernambucanos, para dar confiança a eles.

Não é só a água, é a relação que precisa haver entre os governos preocupados com todo mundo e os governos que discriminam. Porque aqui todo mundo sabe da discriminação que era feita nessas coisas: bota na casa de fulano, mas fulano que não vota comigo não tem direito a água, não tem direito a luz, nem a isso nem aquilo, como se fossem condenados às profundas dos infernos, sem direito a nada.

Desafio que me mostrem seja onde for que tenha havido discriminação nos serviços públicos, que nós tenhamos deixado de fazer isso ou aquilo porque alguém não votou conosco ou com os nossos amigos. Porque os votos se conquistam na medida em que o povo adquire confiança e sabe que o que se diz é verdadeiro, sabe que não está sendo tratado com ódio, com discriminação, sabe que está sendo tratado como cidadão, que são todos aqueles nascidos nesse Estado.

O presidente da República veio mal aconselhado pelos seus amigos nessa viagem a Pernambuco. Ele não sabe o que é seca, porque, se soubesse, não daria as ordens que deu, ordens que são no sentido de conter os recursos para uma região sofrida como essa. Supondo que o dinheiro vai sair de qualquer forma e sem verificar que várias secas nesse Estado foram atendidas pelo poder público, com controle estrito das necessidades de cada um e, sobretudo, com desprendimento para que o povo levantasse a cabeça e tivesse condições psicológicas para atravessar um período tão duro como esse.

Se o povo está atravessando um período tão duro como esse e ainda por cima o presidente da república regateia recursos, contém o salário, diz que não dar tanto, nos obriga a completar um pouquinho e assim mesmo recebe 80 reais por mês para se manter nessa fase de dificuldade, então o povo não pode confiar num governo desse, nem num presidente desse que não tem a menor compreensão para as dificuldades de uma região que vai ter que se recuperar da seca, que não é só atravessar a seca, é se recuperar dos prejuízos que a seca traz.

Isso ninguém pode fazer sem que haja uma contribuição qualquer do poder público, uma reorganização da população para estabelecer as formas de produzir, em novas bases, em bases mais avançadas.

Tenho a certeza de que o povo de Ouricuri e o povo dessa região de onde saí vai saber julgar a 4 de outubro que nós temos uma caminho diferente do caminho dos nossos adversários que querem arranjar voto trazendo aqui o presidente da república e não apresentando razões para Ter esse voto. E razões eles não têm porque nunca fizeram nada pelo sertão, nunca fizeram nada por Pernambuco, a não ser procurar realizar aquilo que lhe desse novamente o mandatozinho de deputado, de governador, do que seja. E nós aqui não estamos trocando obras por votos.

Temos dito em toda parte de Pernambuco: o que nós fazemos é pra pagar o voto que foi recebido na última eleição. Daqui pra frente é outra coisa. Só queremos votos para construir o futuro, para trabalhar para a frente, no meio dessas grandes necessidades do nosso povo. O povo não nos deve nada, nós é que devemos ao povo a sua confiança. E se essa confiança se mantém, nós queremos nesta eleição, que é uma eleição difícil, dura, quando estão colocando em cima de nós todos os recursos de que dispõem, nós queremos, se a confiança se mantém, que o povo nos ajude a eleger Luís Inácio Lula da Silva, Fernando Bezerra Coelho e Humberto Costa para o Senado da república. Pernambuco tem que demonstrar que não se curva, Pernambuco tem que ser fiel a sua História. E eu estou certo de que o povo pernambucano vai fazer essa afirmação que sempre fez no curso de toda sua história.

Muito boa noite, muito obrigado e até outro dia.

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