curta nossa página no facebook / Like us at Facebook Entre em nossa comunidade do orkut / Join us at orkut Siga-nos no Twiiter / Follow us at TwitterSiga-nos no Linkedin / Follow us at LinkedInAdicione-nos em seu círculos / Add us at your circles

Padre: militares de 64 eram tão corruptos quanto os civis

padre edvaldo gomesDurante entrevista para um documentário sobre Dom Hélder Câmara, o padre Edvaldo Gomes, de Casa Forte, fez duras críticas aos militares que promoveram a chamada “revolução de 1964”: “era uma corja de aproveitadores”. O padre ressalva que também havia gente séria entre os ditos revolucionários, mas afirma que os militares “eram tão corruptos quanto os civis” que eles tiraram do poder.

A entrevista foi concedida a 10 de junho de 2006 para o projeto “Dom Hélder – Pastor da Liberdade” (um vídeo e um site), dos jornalistas Marcos Cirano, César de Almeida e Ciro Rocha. Confira os principais trechos:

• O cara quando tem valor, ele se impõe pelo valor dele, não é pelo título que ele tem, não é por insígnias que ele usa, não é por condecorações. Quem tem valor, tem. Quem não tem, pode usar todas as indumentárias, pode usar toda a farda que...a gente acha até engraçado, um cara todo fantasiado.

• A decepção do povo não é agora com o PT no poder, não, vem de muito tempo. O PT no poder é um pretexto para eles voltarem, estão doidos pra voltar a ativa de novo, entendeu. Eles devem ter uma dificuldade danada de aceitar um camarada que veio de baixo, um torneiro-mecânico no poder. Deve ser pra eles uma coisa tremenda.

“O poder instituído naquele tempo da ditadura era de uma corja de aproveitadores”

• Os militares, também é bom dizer, eles foram apanhados de surpresa, eles não tinham-se preparado para fazer a revolução. Havia muita burrice entre os militares, e bota burrice nisso. Os coronéis que faziam os inquéritos, que investigavam, era besteira de todo tipo que eles perguntavam. Ora, perguntar a pessoas eclesiásticas, que estudaram 12 anos, que tinham uma formação filosófica, teológica... Então, quando eles pegavam um eclesiástico para fazer um inquérito sobre ele, as perguntas eram tão idiotas, era pra gozação mesmo. E é claro que alguns colegas meus, que eram inteligentes, adoravam fazer um jogo que eles não entendiam. Por exemplo, essa questão de silogismo nas perguntas: “Nego a maior, concedo a menor.” Eles não entendiam o que era. Agora, depois eles foram aprimorando os inquisidores, foram encontrando, mesmo do lado de cá, dos chamados leigos mais livres, eles foram encontrando os pelegos. Encontraram, também, eclesiásticos tradicionais, conservadores. Então, eles foram tendo pessoas capazes de fazer inquéritos, de fazer perguntas. Mas, no começo, eles também devem ter sofrido um pouco.

• Eu só fui perseguido por cavilação deles. Por exemplo: como eu era uma pessoa que tinha facilidade de arrebanhar gente pra me ouvir e, por temperamento, tenho um relacionamento comunicativo, então eles achavam que eu era perigoso. Eu não era comunista, mas era perigoso porque arrebanhava muita gente pra me ouvir. Isso há muito tempo.

“O general Justino era uma besta enfeitada: insígnias por todo canto, mas não tinha nada na cabeça”

Quando eu estava em São José (Seminário São José), quando mataram Padre Henrique, então eu tinha um grupo de jovens que se reuniam comigo por lá. Então, eu recebi um bilhete anônimo (anônimo que não tem nenhum valor mas que, de qualquer maneira, não deixa de advertir você) dizendo que eu tivesse cuidado, que eu me contentasse em fazer as coisas da Igreja, porque podia acontecer alguma coisa comigo ou com algum deles, o que aconteceu com o Padre Henrique. Então, eu passei para os meninos e, é claro, que os meninos começaram ficar com temor de ir pras reuniões. Os pais, naturalmente, evitavam.

Então, essas cavilações existiam: telefonemas anônimos. Agora, pra ser honesto com você, eu nunca dei muita atenção a isso. Primeiro, eu não dou atenção à carta anônima. Pra mim, tem tanto valor como quem a escreveu: nenhum. O sujeito se esconde no anonimato! A mesma coisa é o telefonema anônimo.

• Você repare que falaram mal dele (Dom Hélder), perseguiram, proibiram de falar e aparecer na televisão, mas nunca tiveram coragem de lançar a mão sobre ele, nunca. Lançaram a mão sobre o Padre Henrique. Perseguiram pessoas que trabalhavam na Igreja, mandaram suas cartinhas anônimas, os telefonemas anônimos. Mas, em Hélder mesmo, nunca tiveram coragem. Foi um tempo de muita covardia.

“Havia muita burrice entre os militares. Depois eles foram aprimorando os inquisidores”

• O poder instituído naquele tempo da ditadura era, mesmo, de uma corja de aproveitadores e de medíocres a serviço do poder. Era um sujeito que nunca teve nada e se ligava a um certo coronel de influência ou a um certo general pra subir. Era gente sem caráter, sem muita personalidade. Claro que eu não vou dizer a você que todo mundo era assim, não. Na revolução houve gente séria, houve gente que acreditava mesmo na revolução, houve gente que, realmente, deu o melhor de si pensando que estava fazendo o bem ao país. Com o tempo, eles mesmos foram percebendo que os militares eram tão corruptos quanto os civis. E aproveitaram tanto quanto. Eles tiveram o país nas mãos 20 anos! Esse País deveria ter mudado. Mudou, mas mudou muita coisa? Não vamos dizer, também, que tudo foi ruim, não. Mas, na verdade, desperdiçaram.... Porque, entre eles houve muita gente esperta que subiu às custas da miséria dos outros.

• Dom Hélder foi importantíssimo para a redemocratização do País. Ai de nós se não houvesse, aqui no Nordeste, um arcebispo tipo Hélder Câmara. Só não fizeram mais sujeira conosco, só não torturaram mais gente aqui foi por conta de Hélder. Eles tinham medo.
Um dia, um general foi procura-lo com a presunção de querer que ele celebrasse a missa da revolução -já pensasse que burrice desgraçada! Aí, Dom Hélder ouviu o convite e disse que não ia. Aí, o general disse: “Arcebispo, eu não estou lhe convidando, eu estou intimando o senhor”. Ele olhou assim pro general e disse: “General, o senhor não me conhece. Cresça e apareça”. O general levantou e foi embora. Que celebrar que nada! Ele ia celebrar a missa da revolução, elogiar o que não prestava?!

“Lançaram mão sobre Padre Henrique, perseguiram pessoas da Igreja. Foi um tempo de muita covardia”

• Outra vez, um coronel foi mandado pelo Exército lá e disse: “Dom Hélder, nós sabemos que você tem homiziado aqui um comunista que nós estamos há muito atrás dele”. Aí, Hélder olhou assim para ele e disse: “Coronel, não se esqueça que os que estão de cima hoje, poderão estar por baixo amanhã. E, se isso acontecer, o senhor bem que gostaria que eu o acolhesse em minha casa”. O coronel olhou para ele e disse: “Dom Hélder, desculpe”. E foi embora.

• Você veja: do período da revolução, quantos estão vivos e nem sequer se falam mais neles! Morreram vivos. Eram medíocres, não tinham valor, não tinham qualidade. O general Justino, coitado, era uma besta enfeitada, insígnias por todo canto, mas não tinha nada na cabeça (General Justino Alves Bastos, comandante do IV Exército, Recife).

• O caso do Padre Henrique eu acompanhei de perto. Dom Hélder telefonou pra mim pedindo que eu fosse me encontrar com a família na casa dele, porque a polícia ia fazer uma sindicância lá, ver a casa. Ele era muito vivo, disse: “Você vá com a indumentária, de batina, com todo rigor eclesiástico, à moda antiga”, como eles entendiam, porque eles não entendiam um eclesiástico assim (aponta para o cinegrafista). Cheguei lá, rapaz eu vou te dizer: eu acolhi o Bartolomeu Gibson –você sabe o que é um cara sínico? Ele era neurótico, realmente era. Foi desses doidos que a revolução aproveitou para fazer o que os generais não tinham coragem de fazer... Pois bem, o Bartolomeu Gibson, passível, entrou, não teve nenhum interesse de ver o quarto do padre Henrique, de mexer em alguma coisa, nada. Era como o camarada que vai já sabendo de tudo, que vai por ir. Foram eles que tinham feito aquilo. Então, conversamos tolices, tentei puxar alguma conversa, até ligando a família dele, porque ele era de uma família que tinha uma certa ligação assim comigo, tinha certo conhecimento, mas ele não se interessava. Ele entrou muito rapidamente e, como uma pessoa que já sabe de tudo e não precisa saber de nada, ele entrou e saiu.

“Mas nem todos foram iguais. Houve gente que deu o melhor de si pensando que estava fazendo bem ao país”

• Um dia, um general perguntou a mim se poderia se encontrar com Dom Hélder, se eu poderia facilitar. Claro, general, nenhum problema, eu vou conversar com ele, eu vou marcar. Quando eu falei, Dom Hélder disse: “Olhe, diga ao general que eu não tenho nada a perder. E pergunto a ele se eu não vou prejudicá-lo, ele se encontrando comigo. A gente pode marcar lá em casa”. Mas, infelizmente, o general foi transferido e não pode ir.

• Castelo Branco era amigo de Dom Héder. Castelo era um desses sérios. Eu acho que Castelo acreditava que o comunismo era o grande perigo e que era preciso banir o comunismo daqui. Era bem intencionado, um homem sério.

• Hoje, a gente acha que os mulçumanos que, de fato formam um grupo grande, são radicais e fanáticos. Mas, havia também os fanáticos da revolução, os oportunistas. Mas, havia, também, as pessoas sensatas, com quem a gente podia conversar.

• Foi uma espécie de fixação. Usaram o comunismo como uma grande farsa para desencadear a revolução.

Powered by Bullraider.com

Parceiros

Publicidade

PE A-Z © Todos os direitos reservados

Console de depuração do Joomla!

Sessão

Informação do perfil

Memória Utilizada

Consultas ao banco