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Ascenso Ferreira

ascenso ferreiraPoeta, Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu no município de Palmares, zona da Mata de Pernambuco, a 09 de maio de 1895, filho único do comerciante Antônio Carneiro Torres e da professora Maria Luiza Gonçalves Ferreira.

Órfão aos 13 anos de idade, passa a trabalhar na mercearia de um tio e, em 1911, publica no jornal A Notícia de Palmares, o seu primeiro poema, "Flor Fenecida". Em 1920, muda-se para o Recife, onde torna-se funcionário público e passa a colaborar com o Diario de Pernambuco e outros jornais.

Em 1925, participa do Movimento Modernista de Pernambuco e, em 1927, publica seu primeiro livro, "Catimbó". Viaja a vários estados brasileiros para promover recitais. Em 1941, publica o seu segundo livro ("Cana Caiana"). O terceiro livro ("Xenhenhém") está pronto para ser editado, mas só sairia em 1951, incorporado à edição de "Poemas", que foi o primeiro livro surgido no Brasil apresentando disco de poesias recitadas pelo seu autor - a edição continha, ainda, o poema "O Trem de Alagoas", musicado por Villa Lobos.

Em 1955, participa ativamente da campanha presidencial de Juscelino Kubitschek, inclusive atuando em comícios no Rio de Janeiro. Em 1966, é nomeado por JK para a direção do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife, mas a nomeação é cancelada dez dias depois, porque um grupo de intelectuais recifenses não aceita que o poeta e boêmio irreverente assuma o cargo. É nomeado, então, assessor do Ministério da Educação e cultura, onde só comparecia para receber o salário. Em 1963, a Editora José Olympio (RJ) lança "Catimbó e Outros Poemas". A 05 de maio de 1965, morre, no Recife. Usava sempre um grande chapéu de palha, que era uma verdadeira logomarca.


Obras

"Catimbó" (1927), "Cana Caiana" (1939), "Poemas" (1951, contendo os dois livros anteriores mais "Xenhenhém"), "Catimbó e Outros Poemas".

A poesia de Ascenso por Manuel Bandeira

"Não me lembro se antes de me avistar pela primeira vez com Ascenso Ferreira (foi, se não me engano, em 1928, no Recife) eu já tinha conhecimento dos seus versos. Como quer que fosse, eles foram para mim, na voz do poeta, uma revelação. Pois quem não ouviu Ascenso dizer, cantar, declamar, rezar, cuspir, dançar, arrotar os seus poemas, não pode fazer idéia das virtualidades verbais neles contidas, do movimento lírico que lhe imprime o autor. Assim, em 'Sertão', quando ele começa:


Sertão! - Jatobá!
Sertão! - Cabrobó!
- Cabrobó!
- Ouricuri!
- Exu!
- Exu!

a palavra 'sertão' é pronunciada em vos de cabeça, como um prolongado grito de aboio, ao passo que 'Jatobá' e 'Cabrobó' caem pesadamente do peito, sinistramente escondidas, evocando, desde logo, a desabalada caatinga. E o resto vem vindo quase sussurrado, num recolhimento quase religioso. Essas seis linhas de Catimbó são uma maravilha de sortilégio evocativo, tanto pelo ritmo da estrofe como pela musicalidade dos topônimos Jatobá, Cabrobó, Ouricuri, Exu.

De repente, eis que o bardo abandona o verso-livre, o vozeirão catastrófico, e assume o tom dançarino, a saltatriz cadência de quem vai pastoreando reses mansas:

Lá vem o vaqueiro, pelos atalhos,
Tagendo as reses para os currais...

Blém... blém... cantam os chocalhos
Dos tristes bodes patriarcais.

Versos de dez, nove e oito sílabas, funcionando dentro do mesmo ritmo, bem marcado e batido. Esta passagem, sem preparação, do verso-livre para os versos metrificados e rimados, de cadência acentuadíssima, no extremo limite em que o verso já é quase música, constitui a virtude mais característica da forma tão pessoal de Ascenso Ferreira. Poeta de inspiração popular, a sua técnica do verso é, no entanto, sutil e requintadíssima. Costuma-se falar de verso metrificado e verso livre, como se algum abismo os separasse. Ascenso é o melhor exemplo com que se possa provar que não existe esse tal abismo. Nos seus poemas, mistura ele os versos do ritmo mais martelado, os que por isso mesmo os cantadores nordestinos chamam 'martelo', com os versos mais ondulados e soltos, com frases de conversa e música pelo meio. É o que precisamente acontece nesse admirável 'Sertão', admirável do princípio ao fim, e onde, depois das notas pastoris, irrompe a toada guerreira do cangaço:

É lamp... é lamp... é lamp...
É Virgulino Lampião...

A seguir, reverte o poeta ao verso-livre, sem metro e sem rima, num poderoso efeito de rebôo:

E o urro do boi, no alto da serra,
para os horizontes cada vez mais limpos,
tem qualquer coisa de sinistro como as vozes
dos profetas anunciadores de desgraças...

Depois é a resolução em cadência-perfeita:

- O sol é vermelho como um tição!
Sertão!...
Sertão!...

A análise de outros poemas de Catimbó e Cana Caiana, como 'Cavalhada', 'Minha Terra', 'Branquinha', 'A Mula do Padre', 'Graf Zeppelin', 'Os Engenhos de Minha Terra', revelaria a mesma agilidade e versatilidade rítmica. Verso metrificado, verso livre, rima, toada musical, frases soltas -todos esses elementos do discurso poético se fundem pela mão de Ascenso numa coisa só, peça inteiriça, onde não se nota a menor emenda, a menor fenda. Não conheço, na poesia brasileira culta, na poesia culta de nenhum outro país, poeta que, a esse respeito, supere o pernambucano.

A essa originalidade de formas se acrescenta outra, mais valiosa, a maneira de sentir e exprimir a terra na sua paisagem e na sua gente. Só nas pinturas de Cícero Dias -do Cícero que ainda não conhecia Paris-, encontramos algo de correspondente. Embora Ascenso se sirva muitas vezes do vocabulário e da sintaxe popular (há trechos de poemas seus que são puras transcrições de coisas ouvidas da boca do povo), nunca ele pratica o decalque, a paródia ao jeito de Catulo e outros, nunca aproveita o folclore como simples fator de pitoresco. Diga-se que também, por outro lado, não há na obra de Ascenso nenhuma intenção social de reivindicação, de reabilitação. Na sua poesia, como na pintura de Cícero, o que há é apenas a compreensão total e o amor mais fundo da vida nordestina. Na interpretação de um e de outro encontramos uma qualidade, um sabor sem precedentes, e inimitáveis.

Ler, e sobretudo ouvir Ascenso, é viver intensamente no mundo dos mangues do Recife, do massapê e das caatingas, mundo do bambo-do-bambu-bambeiro, das cavalhadas, dos pastoris, dos reisados, dos bumbas, dos maracatus, das vaquejadas. Mundo onde as aragens são mansas e as chuvas esperadas: chuvas de janeiro... chuvas de caju... chuvas de Santa Luzia... Os poemas de Ascenso são verdadeiras rapsódias do Nordeste, nas quais se espelha amoravelmente a alma ora brincalhona, ora pungentemente nostálgica das populações dos engenhos e do sertão. Ascenso identificou-se de corpo e coração com o homem do povo de sua terra, mesmo quando este é o cangaceiro que a fatalidade mesológica marcou com os estigmas do crime.

Mais de um crítico já assinalou o que há de genuíno na inspiração popular de Ascenso. 'É autêntico', escreveu Andrade Muricy. 'Não andou se informando. Não fez reportagens de fatos étnicos nem lambiscou o exotismo dos costumes bárbaros do Brasil de ontem com a gula apressada e a ânsia de temas que tanta gente nem sabe esconder.' Sérgio Milliet, assinalando como os elementos folclóricos se apresentam perfeitamente 'digeridos' nos versos de Ascenso, conclui: 'Na realidade, Ascenso é um poeta e não um sociólogo, muito menos um pesquisador. Mas é um poeta que tem o sertão no sangue, que é representativo de uma coletividade no que ela revela de mais original.' O mesmo crítico declara a contribuição de Ascenso Ferreira para o modernismo brasileiro 'das mais originais'.

Caberia aqui indagar qual teria sido, inversamente, a contribuição do modernismo para a formação dessa forte originalidade do poeta. Ascenso de Catimbó e Cana Caiana poderia manifestar-se sem as influências do modernismo?

Vejamos um pouco o que foi a vida do poeta até o 'estalo'. Ascenso nasceu na rua dos Tocos, em Palmares, cidadezinha do interior de Pernambuco. Aos sete anos perdeu o pai num acidente dessas cavalhadas que ele cantou num de seus melhores poemas. Mas o órfãozinho tinha uma mãe admirável, abolicionista que adotava os discursos de Nabuco para modelos de análise lógica no colégio em que era professora. Foi ela a sua primeira e única mestra. Aos treze anos começou Ascenso a trabalhar no comércio. Há que transcrever o que sobre isso escreveu, porque as suas palavras explicam como se foi formando o seu mundo poético ao contato da vida que levava então:

'Entrei para o comércio. Estabelecimento de ponta de rua, cujo dono era meu padrinho, homem de coração largo e barriga cheia, mas intransigentíssimo com os empregados de seu balcão. A Fronteira, nome da casa em que eu trabalhava, está mesmo indicando a sua posição entre a cidade e a zona rural. Passavam os comboios rumo à estação da estrada-de-ferro e de volta faziam pouso para as compras, lavar os cavalos, dormir no 'Rancho' e, de madrugada, abalar. Foi o 'Rancho' o grande principal cenário de meu mundo folclórico: toadas de engenho! toadas do sertão! cocos! sapateados! ponteios de viola! histórias de mal-assombrados! caçadas, pescarias, viagens, narrações...'

Por esse tempo Ascenso não era ainda, como é hoje, grande em três dimensões. Até os vinte e quatro anos foi o magro que lhe puseram o apelido de 'tabica de senhor de engenho'. Depois é que principiou a botar corpo. Meteu-se na política e por causa dela teve de deixar a cidade natal. No Recife, onde se fixou, entrou a recitar nas ruas e em casas de amigos os seus primeiros versos.

Que versos eram esses? Sonetos, baladas madrigais... A julgar pelos poemas de inspiração amorosa de Xenhenhém, não deviam ser grande coisa. Ascenso é bom mas é na poesia extrovertida, onde, como anotou Sérgio Milliet, alcança por vezes acentos épicos. Pois não é verdade que planejou e começou a escrever um longo poema, cujo tema era uma nova revolta dos anjos? Revolta em que ele enfileirava 'todos os que representavam conquistas do pensamento, sem falar em mim, que ia na frente da turba braço a braço com Satanás, derrocando mundos e produzindo cataclismos de estrelas...' O poema abria com uma descrição do quadro das secas nordestinas. Parece que nada subsiste do poema gorado. É pena, porque Ascenso a competir com Milton e Guerra Junqueira devia ser de arromba.

Não sei quando o movimento modernista se propagou no Recife. Lembra-me que Joaquim Inojosa foi o agente de ligação com os rapazes de São Paulo. Ascenso a princípio não quis saber da novidade. Mas quando Guilherme de Almeida passou em Pernambuco e declamou o seu poema "Raça" no Teatro Santa Isabel, o futuro autor de Catimbó entregou os pontos. 'Formara-se o grupo da Revista do Norte', contou ele próprio. 'Aproximara-me eu de seus componentes mais como boêmio do que como poeta... Benedito Monteiro foi quem maior influência exerceu na minha transformação. Contudo, é preciso não esquecer José Maria de Albuquerque e Melo e Joaquim Cardozo. Do grupo faziam parte também Gilberto Freyre, recentemente chegado dos Estados Unidos, cujos artigos, despertando o amor pelas coisas da nossa tradição rural, tão vivas no subconsciente, calaram fundo no meu espírito. Outra personalidade marcante a quem muito devo é Luís da Câmara Cascudo. Foi ele quem me aproximou de Mário de Andrade e Manuel Bandeira.'

O modernismo no Recife, não sei se de si próprio, pela força e originalidade de seus poetas. um Joaquim Cardozo, um Ascenso, não sei se pela ação corretiva de Gilberto Freyre, provavelmente por uma outra coisa, não caiu nos cacoetes de escola, não aderiu tão indiscretamente quanto o mesmo movimento no sul, sobretudo o de São Paulo, aos modelos franceses e italianos. Tirou todo o proveito da lição sem sacrifício de suas virtudes próprias. Cardozo e Ascenso, tão eles mesmos e tão diversos, são ambos deliciosamente provincianos, no melhor sentido da palavra (no sentido em que a entende Gilberto Freyre), deliciosamente pernambucanos e, no entanto, sem nenhum ranço regionalista.

O que Ascenso aproveitou do modernismo terá sido, com o verso-livre, a versatilidade de tom, as surpresas do humour, a poesia profunda de certos momentos da vida e da linguagem cotidianas. Quando a crítica andou celebrando Augusto Frederico Schmidt como o poeta que, em reação ao gosto do tempo, repusera os ritmos ímpares românticos na poesia nova brasileira, Mário de Andrade escreveu-me indignado: 'Basta a gente lembrar o Ascenso para dar risada disso'. De fato: uma das constantes rítmicas de Ascenso são os metros ímpares -de 5 sílabas em 'Maracatu', 'A pega do Boi', 'Toré', 'Xangô', 'Senhor S. João', 'Noturno', 'Martelo', '77', 'Trem de Alagoas'; de 11 sílabas em 'Misticismo', 'História Pátria'; de 5 a 11 em 'Folha Verde', 'A Mula do Padre', 'A Cabra Cabriola'; de 9 sílabas em 'Sertão', 'Reisado', 'Arco-Íris', 'Ano-bom'... pode-se mesmo dizer que o esquema rítmico de Ascenso é este: seqüência de ímpares, verso-livre (uma ou mais frases soltas), seqüência de ímpares:

Papel picadinho,
três quilos de massa,
seis limas de cheiro
três em cada mão...

- Chiquinha danou-se porque eu
quebrei uma nos peitos dela!...
..................................................

Agora o cavalo corria... corria...
(Passear a cavalo era a sedução).
Chegando na porta de minha Maria,
riscava o cavalo, saltava no chão.

("Meu Carnaval")

Mas para que insistir nesses aspectos formais? Aquele "papel picadinho", aquelas "limas de cheiro" me restituíram agora, de chofre, o Recife da minha infância, o Recife que viverá para sempre, capibaribemente, nos versos de Ascenso. Porque o poeta soube escolher, soube por nos seus poemas o detalhe certeiro que evoca e fixa para sempre..." (Texto publicado como prefácio ao livro Poemas, edição de luxo, 1951)

Alguns poemas

A Cavalhada

Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...

Alegria nervosa de bandeirinhas trêmulas!
Bandeirinhas de papel bulindo no vento!...

Foguetes no ar...

- "De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai começar!"

Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...

- Lá vem Papa-Légua em toda carreira
e vem com os arreios luzindo no sol!
- Danou-se! Vai tirar a argolinha!

- Pra quem será?
- Lá vem Pé-de-Vento
- Lá vem Tira-Teima!
- Lá vem Fura-Mundo!
- Lá vem Sarará!
- Passou lambendo!
- Se tivesse cabelo, tirava!...
- Andou beirando!...
- Tirou!!!
- Música, seu mestre!
- Foguetes, moleque!
- Palmas, negrada!
- Tiraram a argolinha!
- Foi Sarará!

Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...

- Viva a cavalhada!
- Vivôo!!!

- "De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai terminar!"

Filosofia

Hora de comer - comer!
Hora de dormir - dormir!
Hora de vadiar - vadiar!

Hora de trabalhar?
- Pernas pro ar que ninguém é de ferro!


Sucessão de São Pedro

- Seu Vigário!
Está aqui esta galinha gorda
que eu trouxe pro mártir São Sebastião!

- Está falando com ele
- Está falando com ele!


Predestinação

- Entra pra dentro, Chiquinha!
Entra pra dentro, Chiquinha!
No caminho que você vai
você acaba prostituta!

E ela:
- Deus te ouça, minha mãe...
Deus te ouça...

Opiniões sobre Ascenso Ferreira

Mário de Andrade: "No Brasil, fazia tempo que a poética modernista andava sem novidade. Depois da primeira arrancada cheia de turtuveios e enganos, umas tantas personalidades se fixaram em caracteres bem firmes e os outros foram se eliminando por si mesmos. Não tiveram paciência para agüentar o tranco, mas pelo menos tiveram a audácia de serem discretos, o que é bem raro no Brasil. (...) Depois que as personalidades dos iniciadores se fixaram, só mesmo Ascenso Ferreira com este Catimbó trouxe pro modernismo uma originalidade real, um ritmo verdadeiramente novo. Esse é o mérito principal dele a meu ver, um mérito inestimável..." (Diário Nacional, SP, 1927)

Sérgio Milliet: "Quem não ouviu falar, nas rodas intelectuais do Brasil, de Ascenso Ferreira, rei dos mestres, que aprendeu sem se ensinar? É a própria voz do Nordeste, tão autêntica, tão pura, que certos poemas seus já se tornaram anônimos, já viraram folclore. A gente ouve, gosta, sente e nem sequer pergunta de quem são, porque se ouvem como expressões naturais de uma cultura característica". (Trecho do prefácio à edição popular de Poemas, 1953)

Alceu Valença: "Com Ascenso, foi a primeira vez que levei um poema a sério. Musiquei dois de seus poemas: Oropa, França e Bahia e Maracatu. Ele tinha uma naturalidade incrível! Sonoridade nas palavras que faz de sua poesia uma poesia oral. Entende a alma do povo pernambucano. Tem uma maneira muito mágica. Ascenso tinha um respeito religioso pelo povo. Mas sua obra não é só popular. É sofisticada, também. E tem momentos de poesia moderna, como em O zeppelin". (Suplemento Cultural-Diario Oficial de Pernambuco, abril 1990).

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