Jornalista, radialista, humorista e compositor, o recifense Luiz Queiroga teve vida curta (48 anos), mas deixou uma vasta e importante obra em praticamente todos os setores nos quais atuou.

Criou, produziu e escreveu vários programas humorísticos para o rádio. Foi autor de inúmeras rádio-novelas. Atuou na TV. Escreveu textos para grandes nomes, entre os quais Chico Anysio, Renato Aragão e Walter D?Ávila.

Na música, foi parceiro de Luiz Gonzaga e Nelson Ferreira, entre outros. Teve composições de sua autoria gravadas por grandes intérpretes da MPB, entre eles Jackson do Padeiro, Geraldo Azevedo e Trio Nordestino.

Além disso, escreveu crônicas para jornais. Foi rádio-ator. Criador de personagens como o ?Coroné Ludugero?. Agitador cultural. E ainda se deu ao luxo de casar coma cantora Mêves Gama, uma das mais belas vozes da Era de Ouro do Rádio.

Morreu em casa, na beira-mar de Olinda, dia 15 de maio de 1978, de enfarto.

O COMEÇO - Luiz Queiroga nasceu a 24 de Janeiro de 1930, na Rua Castro Alves, bairro da Encruzilhada, na cidade de Recife. Mesmo sendo muito ligado à família, não conseguia ficar parado, por isso começou a trabalhar cedo. Não por necessidade financeira, mas porque era um jeito que tinha de estar sempre fazendo alguma coisa.

Em 1943, conseguiu seu primeiro emprego, como office-boy do Aeroclube de Pernambuco, o que a família só descobriu tempo depois. E m 1946, mudou-se, com a família, para Caruaru, onde foi trabalhar no serviço de alto-falantes da empresa Divulgadora de Anúncios e começou escrever crônica para o jornal ?A Vanguarda?, onde também foi revisor.

No início de 1947, ainda em Caruaru, integrou (com Onildo Almeida, Paulo Soares e Zé Bezerra, este conhecido por Chambá), um conjunto musical chamado, inicialmente, Cancioneiros Tropicais. Logo depois, por sugestão do jornalista Pessoa de Queiróz, o conjunto mudou o nome para Vocalistas Caetés. Mesmo tendo feito sucesso na região, o grupo terminou em 1953.

Antes mesmo do final dos Vocalistas Caetés, em 1952 Luiz Queiroga começou trabalhar na Rádio Difusora de Caruaru, recém-inaugurada. Como o emprego na rádio era provisório, ele trabalhava ao mesmo tempo no Armazém Guarany, onde foi auxiliar de escritório de novembro de 1953 até maio de 1954.

Luiz Queiroga voltou ao Recife em junho de 1954 e passou integrar a equipe da Rádio Jornal do Commércio, produzindo textos de humor, juntamente com Edvaldo Saldanha entre outros. Daí em diante, Lula não mais deixaria as atividades de uma bem-sucedida carreira radiofônica e jornalística, além de compositor, exercida entre o Recife e o Rio de Janeiro.

RÁDIO ? No período de 1954 a 1963, Luiz Queiroga criou vários programas para as Rádio Jornal do Commercio, Rádio Tamandaré e Rádio Clube de Pernambuco destacando-se os seguintes:

Rádio-novelas como Preconceito, Escrava do Pecado e Os Pecadores (1955);
Programas Terreiro de Caetés e Coqueirais (1956), Rádio Confusão e Festival dos Cabeçudos (1957), Avenida Vale Tudo e Cara Que Mamãe Beijou (1958);
Na Rádio MEC, Rio de Janeiro, foi o primeiro redator do projeto Minerva.

Na Rádio Clube, de julho de 1975 a outubro de 1976, escreveu o quadro Uma Palavra Amiga e os programas Essa Turma é de Lascar e No tribunal da Música.

Em 1978, sua última atuação no rádio foi como assessor de produção da Rádio Repórter (Globo), onde também escreveu textos humorísticos para o programa Show da Cidade.

Durante toda a chamada Era de Ouro do Rádio (que se estendeu entre as décadas de 1930 e 1950), Lula produziu programas humorísticos para artistas como: Aldemar Paiva, Rosa Maria, Carmen Towar, Barreto Júnior, Agnaldo e João Batista (JOMBA), Albuquerque Pereira, César Brasil, Mercedes Del Prado, José Santa Cruz, Brivaldo Franklin (Zé do Gato), etc.

Das novelas que escreveu, nasceram personagens engraçados para atrizes de muito talento, tais como: A Missegura (interpretada por Rosa Maria), Zefa Cangacêra (interpretada por Consuelo Leandro) e Maria Filó (interpretada por Carmen Towar).

TELEVISÃO ? Na Tv Rádio Clube de Pernambuco, Luiz Queiroga atuou em 1961, escrevendo programas e novelas, destacando-se: Vamos Mudar de Assunto, Big Show BS, Bossa à Beca e Tele Teatro.

Na TV Tupi, do Rio de Janeiro, em 1963 criou textos para os seguintes programas humorísticos: AEIO Urca, Balança Mas Não Cai, Vovô Deville, I Love Lúcio, Essa Gente Inocente, Rio Bola 6, Amor Humor, Café Sem Concerto, Jornal Eco, Deu a Louca no Mundo, entre outros.

Na TV Globo, Rio de Janeiro, escreveu texto humorístico para o programa A Praça da Alegria.

Alguns nomes para os quais Luiz Queiroga escreveu textos para televisão: Chico Anysio, Renato Aragão, Lúcio Mauro, Arlete Sales, Consuelo Leandro, Dercy Gonçalves, Jô Soares, Costinha, José Santa Cruz, Ankito, Walter D?Avila, Mário Tupinambá, Bibi Ferreira, José Vasconcelos, Moacyr Franco, Brandão Filho, Paulo Gracindo, Sônia Maméde, Rony Cócegas, Zé Lorêdo, Carlos Leite, Wilza Carla, Gordurinha, Heloísa Helena, José Wilker, José Augusto Branco, Jacques Gonçalves, Evandro Vasconcelos, Genival Lacerda.

MÚSICA ? Como compositor, Luiz Queiroga estreou em 1958, com a música ?Escola de Feola?, feita para homenagear a seleção brasileira campeã da Copa do Mundo naquele ano. Esta música foi utilizada no filme Isto é Pelé.

Outras composições: ?Olé, Laurindo?, marcha em parceria com Luiz Gonzaga, 1958; ?A Hora do Adeus?, parceria com Onildo Almeida, gravada por Luiz Gonzaga; ?Machucando Sim?, parceria com Coroné, do Trio Nordestino; ?Advinhações?, parceria com Nelson Ferreira; ?O Velo e o Novo?, parceria com o filho Lula Queiroga.