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Livro Arraes

 

 

Um grande título para um livro emocionante

Apresentação José Nivaldo Junior, publicitário e escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras

 

Marcos Cirano pode se considerar um Cristovam Colombo do jornalismo e, agora, da historiografia pernambucana e brasileira. Não só por ter navegado por Pernambuco inteiro, Estado cuja alma ele conhece como poucos. Nem apenas por ter feito esta expedição desafiadora a bordo da nau capitaneada por ninguém menos do que o inigualável Miguel Arraes de Alencar. Acompanhando o “mito” na sua última jornada eleitoral, cujo resultado negativo já era previsto e aceito pelo próprio Arraes.

Cirano é o nosso Colombo porque singrou os oceanos do sertão antes deste cumprir a profecia de virar mar, com o objetivo de chegar a terras novas. Mas especialmente porque, de forma extremamente perspicaz e criativa, a exemplo do descobridor da América, também colocou um ovo em pé. Depois de feito o trabalho muita gente vai achar que foi simples e fácil. Só que, como o navegador genovês, ninguém antes teve a idéia de procurar o Oriente pelo caminho do Ocidente.

O autor utilizou a tecnologia para registrar os discursos do então governador/candidato. As palavras que voam e estavam destinadas a se perderem levadas pelo vento, foram capturadas e transformadas em registros fonográficos e escritos, sendo esses aqueles que ficam definitivamente, já sabiam disso os antigos romanos.

Como se não bastasse essa demonstração de genialidade, Cirano captou o sentido dialético do conjunto incrivelmente harmônico, consistente e coerente dos discursos. Reflexos da visão filosófica sedimentada do “Dr. Arraes”. Suas palavras expressavam pensamentos que traduziam uma sólida filosofia do universo, da vida, do mundo, da sociedade e do poder. E das pessoas, principalmente das pessoas, particularmente as mais sofridas, centro da atenção e principal razão de viver do velho líder.

O autor entendeu, o que é para poucos, que o ocaso do velho guerreiro do povo brasileiro – e em se tratando de Arraes este grito de guerra militante se aplica com perfeição – trazia em si as sementes de um novo dia. Daí o meu encantamento com o título “Porto do Renascimento”.

Miguel Arraes era um homem de uma simplicidade tão grande que nunca ostentava a cultura profunda da qual era portador. Falava com tamanha singeleza que os fascinados pelas pompas da oratória simplesmente desdenhavam dele. Os seus conceitos simples, que iam direto ao coração das massas, passavam ao largo das vaidades de muitos intelectuais e políticos impregnados de solenidade.

Dizia o folclore político que Arraes falava de modo que ninguém entendia. A pouca convivência que tive com ele me permitiu constatar que isso era verdade, em certas circunstâncias. Por exemplo, quando ele, por alguma razão, não queria mesmo ser entendido. Quando o interlocutor não merecia a honra do diálogo. Quando falar com clareza significaria jogar sementes em terreno pedregoso.

Arraes dissimulava tanto os seus créditos intelectuais que muitas vezes ouvi gente de comunicação repetir a falácia de que ele era arcaico, “não entendia e não se interessava pelo marketing”. Logo Arraes, que aproveitando o tédio da prisão em Fernando de Noronha, traduziu para o português as centenas de páginas do clássico e muitas vezes reeditado “A Mistificação das Massas pela Propaganda Política”. Aposto que ainda agora, se chegarem a ler essas linhas, profissionais próximos a ele vão se surpreender com a informação.

Bem fiel ao estilo de Arraes, homem de poucos arroubos e muitos gestos, Marcos Cirano se posicionou discretamente em relação ao espetacular resultado da sua pescaria. Explicou o contexto e passou a palavra ao personagem. Não quis produzir sociologismos ou enveredar pela politicologia. Não pretendeu acender lanterna na claridade do meio dia. Deixou o sol brilhar, simplesmente, com todo o seu esplendor.

Produziu com essa grandeza espiritual um definitivo trabalho histórico e político. Miguel Arraes garantiu o seu lugar na História como um dos grandes personagens de todos os tempos desde 1964. Já falei em outras ocasiões, registrei esse detalhe em “1964 – O Julgamento de Deus”, mas nunca é demais repetir. Quando os militares rasgaram a constituição e foram convidá-lo a abandonar o Palácio das Princesas, renunciando ao cargo de Governador que o povo lhe conferira, simplesmente recusou fazer ou receber qualquer concessão.

Registre-se: era um homem ainda jovem, viúvo casado de novo recentemente, pai de uma penca de filhos pequenos. Disse que não podia abrir mão do mandato que o povo lhe outorgou. Foi arrancado pela força discricionária da ditadura, direto do palácio para o cárcere e daí para o exílio, de onde voltou consagrado mais de 15 anos depois. Retornou duas vezes ainda ao Palácio do Campo das Princesas, como Governador, entrando pela força do voto pela porta que saiu pelo arbítrio. Se alguém conseguiu ser mito por acaso, isso definitivamente não se aplica a Miguel Arraes.

Esse trabalho de Marcos Cirano restaura, também definitivamente, e apresenta para a História, um lado menos reconhecido de Miguel Arraes: o de pensador político profundo e formulador teórico de raríssima precisão.

Não vou antecipar as muitas surpresas que os leitores terão vendo escritas palavras pronunciadas no calor dos palanques. Vou registrar um entre vários exemplos: o discurso sobre a estabilidade da moeda é simplesmente antológico. Faz parte do melhor que a humanidade produziu sobre o assunto. Devia ser lido e relido, tantas vezes, até ser realmente compreendido, por certos economistas que no exercício de cargos públicos usam técnicas sofisticadas e discursos incompreensíveis para passar manteiga na venta do povo.

Mérito do autor de ter percebido tudo isso e de quebra encontrado a forma mais eficaz de colocar ao alcance do leitor e à disposição da História o Arraes dialético, coerente, generoso, visionário, profético. Que nunca colocava seus interesses pessoais acima do coletivo. E só tinha compromisso com uma vitória: a da causa popular.

Marcos Cirano produziu um livro que agrega efetivo valor às boas biografias já escritas sobre Arraes. Sem diminuir o trabalho já realizado, coloca o perfil dele em outra dimensão, outro patamar.

Mais que tratar de política, Cirano registra sentimentos. Por isso, este livro, tem um belo titulo e um maravilhoso conteúdo. Um livro com vida, com alma, com vigor. Que revolve os espíritos e emociona.

Uma pérola rara, para ser degustada e guardada na estante do coração. 

arraes

 

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