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Paixão de Cristo

paixao cristo 2Drama encenado anualmente na cidade-teatro denominada Nova Jerusalém.

Localizada no Distrito de Fazenda Nova, no município de Brejo da Madre de Deus, a 204 km de Recife, Nova Jerusalém é uma réplica da antiga Jerusalém dos tempos de Jesus Cristo. Com 100 mil m² de extensão, tem uma área (cercada por uma grande muralha de pedras) equivalente a 1/3 da Jerusalém original, onde Jesus viveu seus últimos dias.

Considerada o maior teatro ao ar livre do mundo, a cidade-teatro tem 09 palcos gigantes (reproduzindo, entre outros, o Palácio de Herodes, o Fórum de Pilatos, o Cenáculo da última Ceia), onde o Drama da Paixão é encenado, ao vivo, por atores profissionais e dezenas de figurantes, estes recrutados entre a população local.

Nova Jerusalém foi construída por iniciativa de Plínio Pacheco, um jornalista gaúcho que em 1956 veio a Fazenda Nova, assistir a um espetáculo sobre a Paixão de Cristo que ali era celebrado há anos. Plínio acabou ficando, casou com uma filha do criador do espetáculo original (empresário Epaminondas Mendonça) e, entre 1962 e 1967, ergueu a cidade-teatro.

Nova Jerusalém foi inaugurada em 1968, em meio à paisagem seca do agreste pernambucano.


Nova Jerusalém: idealizador revela origem do Drama da Paixão

paixao cristo 1Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, criador do Drama da Paixão conta como surgiu o espetáculo, como Nova Jerusalém foi construída e lembra o dia em que o Cristo quase foi devorado pelas formigas.

Empresário e político, Epaminondas Cordeiro de Mendonça nasceu a 08 de julho de 1897 e, em 1924, fixou residência em Fazenda Nova, com o objetivo de tratar da saúde, pois o lugarejo era famoso por conta do clima e de fontes de água mineral. Na época, não havia nem estrada de barro e, para que seus negócios não fossem à falência, ele teve uma idéia: atrair a clientela com a montagem de um "Drama do Calvário".

O espetáculo vingou e acabaria dando origem à atual Nova Jerusalém. No depoimento que reproduzimos aqui, prestado ao Museu da Imagem e do Som de Pernambuco e publicado em 1975 pelo Jornal da Cidade, do Recife, Epaminondas Mendonça conta como tudo começou.

 

MISPE - Antes de vir para Fazenda Nova, o que fazia o senhor?

Epaminondas - Eu trabalhava no comércio, na cidade de Quipapá, desde 1914. Em 1924, a bem da saúde, vim para Fazenda Nova. Em 1927, transferi minha casa comercial para Panelas, neste Estado, onde fui exercer o cargo de prefeito do município. Em 1928, consegui do governador Estácio Coimbra a elevação de Fazenda Nova à categoria de vila e sede do distrito de Mandaçaia, a que pertencia Fazenda Nova. Em 1930, na revolução getulista, voltei para Fazenda Nova.

Em 1931, coordenei uma comissão para examinar a água de Fazenda Nova e consegui que esta comissão adquirisse os terrenos onde estão situadas as águas minerais. Em 1934, fundei o primeiro hotel de Fazenda Nova, o Hotel Familiar. Em 1940, fui para o Recife educar a família, os filhos, que já eram nove, e voltei em 1945, fundando novo hotel e a casa comercial. Em 1951, as coisas andaram pretas para o hotel: funcionando mal, pouca gente, não tinha concorrência que pagasse as despesas. Até então não tinha estrada. Em 1951/52 idealizei o "Drama do Calvário" para chamar o turismo para Fazenda Nova.

Nesse tempo, não se falava em turismo em Pernambuco, falava-se em turismo na Alemanha. Lendo uma revista, encontrei o drama de Oberabergau: uma terra que vive exclusivamente de turismo, na Alemanha. Uma revista americana publicava sobre o drama de Oberabergau. Meu filho Luiz, que fez a parte de Cristo até o ano passado, ou melhor, retrasado, conseguiu com um amigo dele, um coletor de gravatá, fazer o "Drama do Calvário". No ano de 1952, inaugurávamos o espetáculo, em palcos de táboas de pinho, na Vila de Fazenda Nova, já então com três hotéis, todos fazendo pouco negócio, e o espetáculo pouco rendimento deu. Até aí, os freqüentadores eram pessoas das cercanias: Brejo da Madre de Deus, Caruaru, São Caetano. Não deu muito rendimento.

MISPE - Quem eram os atores?

Epaminondas - Os atores eram todos da terra, somente Luiz e um rapaz do Recife trabalhavam como atores. Luiz, meu filho, dirigia o teatro. Todo o teatro, no primeiro ano, foi feito com o povo de Fazenda Nova. No segundo ano, trouxe um rapaz que trabalhava num circo para fazer a figura mais forte, que era a do Judas, e Miguel Errante. Depois do terceiro ano, trouxemos um para, para Caifaz, e então trouxemos o Clênio Vanderley, fazendo o papel de Judas Iscariote e Caifaz. A partir de 1959, o drama não foi mais em palco, foi na vila de Fazenda Nova, de casa em casa. A fonte de Fazenda Nova passou a fazer quase a maior parte do drama: a encenação do calvário, o morto, o cenáculo, a ressurreição, tudo se fazia nas pedras da fonte. E o espetáculo, então, foi melhorando e no terceiro ano tivemos grandes concorrências do Recife. Já aí vinham dois ônibus de turismo da prefeitura do Recife.

A prefeitura do Recife inaugurou o turismo, criando um departamento que não se chamava de turismo, mas Departamento de Documentação e Cultura. Consegui dois ônibus fretados pela prefeitura e, assim, fazia no meu hotel e nos outros hotéis hospedagem barata para esse povo, com passagens baratas. Era uma média, entre tudo, de dez cruzeiros para cada pessoa que vinha assistir ao drama três dias. O espetáculo saía barato, com dez "contos" o pessoal assistia e pagava na prefeitura todas as despesas, de transporte, de comida. O drama era gratuito, não se pagava nada. Foi progredindo e aí, no segundo ano, terceiro ano, devido à afluências de muitos turistas de Maceió, da Bahia e de outros lugares...

Já no quarto ano, veio uma artista da Bahia, uma moça que trabalhava em teatro na Bahia, e o drama foi de vento em popa, subindo até que, em 1958, atingiu o auge e em 1959, já com a direção de Plínio Pacheco, deu o máximo de rendimento: cerca de seis mil pessoas. Oitocentos automóveis encheram Fazenda Nova completamente e quase não se foi possível levar o drama, foi preciso a Polícia Rodoviária para conter os automóveis. Fez-se o drama pela cidade, quase não se podia trabalhar. A assistência superlotou toda a vila.

MISPE - Como foi que Plínio Pacheco apareceu em Fazenda Nova?

Epaminondas - Plínio Pacheco veio aqui para assistir ao drama e, então, enamorou-se de Diva, no carnaval, e casou-se com ela. Tornou-se, então, uma pessoa ligada inteiramente ao "Drama do Calvário".

MISPE - Dona Diva fazia o papel de que?

Epaminondas - Fazia o Satanás e a bailarina. O primeiro papel dela foi Satanás, na pedra da fonte. A princípio, quase toda minha família levou as partes principais: eu fiz o Caifaz, porque não tinha quem quisesse fazer; José, meu filho mais velho, fez José de Arimatéia; Diva fez o Demônio; Geni fez a Verônica; Paulo fez Pilatos durante muitos anos; Marly, sua esposa, fez Madalena; Nair fez Maria santíssima; toda a família. No ano de 1959, verificamos que não se podia mais fazer o drama na vila, era impossível. Enchia-se completamente de automóveis, de gente, vozes extras, tudo. As casas ficavam completamente cheias de gente, os postes das ruas ficavam cheios de gente, as árvores lascavam-se de tanta gente, as pedras, que faziam parte dos cenários, ficavam completamente superlotadas de gente, era preciso a Polícia para deter os assistentes que invadiam o palco principal, a fonte.

Combinou-se, então, que havia de se encontrar um terreno para fundar um teatro ao ar livre que adaptasse todo o espetáculo. Aí, Plínio comprou um terreno, com apoio da Sociedade Brasileira de Teatro, que forneceu a importância de CR$ 200,00. Plínio, então, deu início a esse espetáculo, saiu fora da órbita do antigo espetáculo, eu nem tomei mais parte. Já éramos um simples assistente, minha senhora e eu. Minha senhora adoeceu mas, como não queríamos perder o primeiro espetáculo na Nova Jerusalém, ela foi numa ambulância, transportada numa maca, para ir comigo assistir ao espetáculo, já no governo de Nilo Coelho.

MISPE - Gostaríamos que o senhor recordasse fatos pitorescos neste drama.

Epaminondas - No primeiro ano do espetáculo houve um fato curioso que é necessário frisar: fazia-se uma cova rasa no chão e deitava-se o Cristo nos lençóis, dentro da cova. Não era como hoje, que é de pedra. Então levamos o Cristo, depois da cruz, para enterrá-lo na cova rasa. Jogamos o Cristo dentro da cova. A cova era de terra e tinha formiga preta. Quando foi preciso tirar o Cristo de dentro da cova, ele estava sendo devorado pelas formigas, estava todo cheio, na perna.

MISPE - E ele não reclamava?

Epaminondas - Não,para não prejudicar o espetáculo. Estava quase sendo devorado pelas formigas, milhares de formigas no corpo todo. Ele teve que fazer a ascensão suportando as picadas das formigas.Depois de tudo feito é que ele pode tirar as formigas.

MISPE - Por que o senhor decidiu criar o Drama da Paixão?

Epaminondas - Eu não disse ainda porque fiz o "Drama do Calvário". Vou dizer agora: os hotéis, que já eram em número de três, estavam quase paralisados e eu li essa revista e, com Luiz, idealizei esta peça e bolamos o primeiro ano. Um jornalista me entrevistou e me perguntou por que eu levei o "Drama do Calvário", se era promessa, religião ou coisa que o valha. Meus filhos até levaram a mal, mas eu disse então: nada disso! Eu quero dar início, em Pernambuco, a um movimento turístico e Fazenda Nova se adapta a Oberabergau. O jornalista me perguntou se era turismo, e eu disse que é. Não vou dizer que é promessa, religião ou política. O meu objetivo é fazer com que Fazenda Nova encha os seus hotéis. E, de fato, já no segundo ano, os hotéis foram de vento em popa. Todos superlotados. Com o lucro conseguimos comprar o Grande Hotel e prepara-lo para o drama.

MISPE - O senhor acredita que o espetáculo de Fazenda Nova tenha modificado, de alguma forma, a região, o povo da região?

Epaminondas - Quando chegamos aqui, encontrei 13 casas, em 1924. Hoje (nota da redação: 1975), a estatística apurou que há 511 casas em Fazenda Nova. Fazenda Nova cresceu pouco em comércio, porque durante o ano o comércio não tem muito movimento. Sua agricultura não cresceu muito, sua criação de bovinos e eqüinos, de todos os animais, não tem desenvolvido muito. Porém, o "Drama do Calvário" fez com que tivéssemos quatro hotéis.

paixao cristo 3

Parque de Esculturas Nilo Coelho

Localizado no entorno de Nova Jerusalém, numa área de 60 hectares, onde estão distribuídas várias esculturas em pedra, lavradas por artesãos locais. São toneladas de pedras transformadas nos mais representativos tipos nordestinos, como o agricultor com enxada, a mulher rendeira, mulher raspando coco, tocador de pífano, violeiro, sanfoneiro, capitão do cavalo-marinho, Lampião e Maria Bonita, bacamarteiros e outros. O peso das monumentais figuras em pedra varia de 07 a 15 toneladas.

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